O caju rufião
Rufianismo, politicagem, corrupção, servilismo cultural são palavras que talvez traduzam os reais objetivos dessa caricatura de carnaval chamada de Pré-Caju. Se a idéia foi concebida pelos grupos musicais baianos ávidos pela conquista de novos mercados, o seu campo germinador foi uma empresa de empreendimentos culturais denominada de Augustu's, sediada em um terreno quase doado pela EMURB, na época da intervenção municipal do democrático Governador Valadares. Afastando a hipótese de corrupção, possivelmente essa doação foi fruto de um desses momentos de extremada bondade do Sr. Governador.
Como passe de magica, a empresa falida Corsal se transformou em um próspero empreendimento de produção de eventos sob o comando do Sr. Lourival, tendo como garoto propaganda, o sorridente Fabiano Oliveira. Sorriso para cá, sorriso para lá, o garotinho cheio de baianidade foi conquistando corações e mentes, principalmente, o precioso acesso aos cofres públicos. Pode-se questionar a importância desse evento para a cidade de Aracaju, se somos quintal da Bahia, ou mesmo, o afastamento das características básicas do Carnaval, tais como, a irreverência, as inversões dos papeis sociais, a comicidade que provoca o riso subversivo, mas, nunca a saúde financeira das empresas dos irmãos do Pré-Caju.
Se essa imitação barata de festa carnavalhesca está anêmica, o mesmo não se pode dizer dos fluxos arteriais financeiros que irrigam abundantemente o negocio abençoado dos irmãos Pré-Caju. Vermelho, muito vermelho! Se outros Prefeitos e Governadores foram atenciosos, os atuais governantes primam pela generosidade. Apesar de ser um evento de administração privada que visa o lucro, os nossos governantes abrem os cofres públicos, movimentam todos os serviços estatais em prol desse evento, fecham parcialmente uma das principais avenidas da cidade, causando imenso transtorno para o trânsito e para os pedestres. Isso sem falar nos quinze milhões de reais transferidos do Ministério do Turismo para ASBT nesses últimos três anos, entidade administrada pelos irmãos Oliveira.
Na próxima semana, a festa acontece. Blocos destilam com seus foliões uniformizados, cantando musicas bobas pasteurizadas, dançando em um ritmo de quarta feira de cinzas e isolados por batalhões de seguranças. Se o carnaval era do povo, nessa versão falsificada, pertence às elites que se acomodam nos camarotes, servidas de boas comidas e bebidas, e, se for o caso, fazem uso de acompanhantes lindas e cheirosas. No vácuo dos trios elétricos, na poeira dos blocos encontram-se as pessoas comum que em outros carnavais brilhavam, protestavam, ironizavam, satirizavam. Mas isso é coisa dos carnavais passados, pois o do presente só lhes permitem a rabada dos trios e a embriaguez das bebidas baratas. Lá de cima, os dois reis momos olham prazerosamente. Não é sem motivo essa alegria. Enfim, nessa festa, todos gastam e eles ganham.
Ivan Bezerra de Sant Anna
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terça-feira, 10 de janeiro de 2012
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Será o mesmo?
Será o mesmo?
Existem certas coisas que só se explicam pela magia, ou, como pode ser o caso, pela safadeza e embromação. No entanto, no Brasil tudo é possível, levando-se em conta algumas particularidades do nosso País, tais como, um Judiciário que legisla, negociando como se estivesse em um mercado persa. Estou sendo radical? Acho que não, pois bastaria que o Judiciário aplicasse a lei que estaríamos protegidos de certos tipos de pessoas que enganam e tripudiam da sociedade.
Entretanto, custo acreditar que o candidato à Prefeito do Município da Barra dos Coqueiros pelo Partido Socialista seja o mesmo que alguns anos atrás era conhecido por Montalvão, o publicitário. Me contaram, mas não acreditei. Não pode ser! Deve haver algum engano. O socialista senador, o Sr. Valadares, jamais permitiria que o Sr. Montalvão, o publicitário, candidatasse à algum cargo eletivo pelo Partido que controla, sob pena de ter sua imagem de político honesto devidamente arranhada. Mas, quem se dizia democrático e mandou a Policia encher Edvaldo Nogueira e Marcelo Deda de porrada quando era Governador, tudo é possível.
Que cinismo! Não tenho outra palavra para definir o comportamento agressivo em prol da moralidade pública do suposto candidato do PSB, que não seja essa. Se for a mesma pessoa, (Deus queira que não seja!) a população da Barra dos Coqueiros está assistindo, ou melhor, ouvindo pela Radio Comunitária uma comédia grotesca que bem poderia ser intitulada com o justo nome de "Engana tolo".
O Sr. Montalvão quando no exercício da arte publicitaria, ajudava aos empresários e políticos na implementação da venda dos seus produtos. No entanto, se era habilidoso em criar ilusões consumista, era muito mais competente na arte de aplicar golpes nos credores e fornecedores. Por três vezes, o Sr. Montalvão, na calada da noite, desaparecia como por encanto, deixando para trás um amontoado de dívidas, credores angustiados e um forte cheiro de estelionato. Desde que efetuou o seu primeiro golpe, o homem do chapéu de Panamá adotou a tática de se esconder no Estado de Pernambuco por algum tempo, para depois voltar "de fininho" ostentando um sorriso angelical, com a cara de "santo de presépio". Se estou falando isso é porque quando era diretor da Univídeo fui umas das suas vitimas, na ocasião em que o Sr. Montalvão deu seu último golpe no mercado.
Último golpe? Bom, se o Montalvão do PSB for o mesmo Montalvão publicitário, pode haver a possibilidade de um novo golpe, pois "quem foi Rei, sempre é majestade". Assim, em uma bela madrugada, os moradores da Barra dos Coqueiros podem ser surpreendidos com a descoberta que a cadeira do Prefeito está tão vazia quanto o cofre da Prefeitura. E quem avisa amigo é, espero que os eleitores desse município não levem em conta as farofadas desse farsante, isto é: se um for o outro. Em caso de duvidas, o eleitor da Ilha deve estar atento para um detalhe de grande importância: o Montalvão publicitário é baixinho, de cor branca e pode estar usando barba e um chapéu de Panamá.
Ivan Bezerra de Sant Anna
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Existem certas coisas que só se explicam pela magia, ou, como pode ser o caso, pela safadeza e embromação. No entanto, no Brasil tudo é possível, levando-se em conta algumas particularidades do nosso País, tais como, um Judiciário que legisla, negociando como se estivesse em um mercado persa. Estou sendo radical? Acho que não, pois bastaria que o Judiciário aplicasse a lei que estaríamos protegidos de certos tipos de pessoas que enganam e tripudiam da sociedade.
Entretanto, custo acreditar que o candidato à Prefeito do Município da Barra dos Coqueiros pelo Partido Socialista seja o mesmo que alguns anos atrás era conhecido por Montalvão, o publicitário. Me contaram, mas não acreditei. Não pode ser! Deve haver algum engano. O socialista senador, o Sr. Valadares, jamais permitiria que o Sr. Montalvão, o publicitário, candidatasse à algum cargo eletivo pelo Partido que controla, sob pena de ter sua imagem de político honesto devidamente arranhada. Mas, quem se dizia democrático e mandou a Policia encher Edvaldo Nogueira e Marcelo Deda de porrada quando era Governador, tudo é possível.
Que cinismo! Não tenho outra palavra para definir o comportamento agressivo em prol da moralidade pública do suposto candidato do PSB, que não seja essa. Se for a mesma pessoa, (Deus queira que não seja!) a população da Barra dos Coqueiros está assistindo, ou melhor, ouvindo pela Radio Comunitária uma comédia grotesca que bem poderia ser intitulada com o justo nome de "Engana tolo".
O Sr. Montalvão quando no exercício da arte publicitaria, ajudava aos empresários e políticos na implementação da venda dos seus produtos. No entanto, se era habilidoso em criar ilusões consumista, era muito mais competente na arte de aplicar golpes nos credores e fornecedores. Por três vezes, o Sr. Montalvão, na calada da noite, desaparecia como por encanto, deixando para trás um amontoado de dívidas, credores angustiados e um forte cheiro de estelionato. Desde que efetuou o seu primeiro golpe, o homem do chapéu de Panamá adotou a tática de se esconder no Estado de Pernambuco por algum tempo, para depois voltar "de fininho" ostentando um sorriso angelical, com a cara de "santo de presépio". Se estou falando isso é porque quando era diretor da Univídeo fui umas das suas vitimas, na ocasião em que o Sr. Montalvão deu seu último golpe no mercado.
Último golpe? Bom, se o Montalvão do PSB for o mesmo Montalvão publicitário, pode haver a possibilidade de um novo golpe, pois "quem foi Rei, sempre é majestade". Assim, em uma bela madrugada, os moradores da Barra dos Coqueiros podem ser surpreendidos com a descoberta que a cadeira do Prefeito está tão vazia quanto o cofre da Prefeitura. E quem avisa amigo é, espero que os eleitores desse município não levem em conta as farofadas desse farsante, isto é: se um for o outro. Em caso de duvidas, o eleitor da Ilha deve estar atento para um detalhe de grande importância: o Montalvão publicitário é baixinho, de cor branca e pode estar usando barba e um chapéu de Panamá.
Ivan Bezerra de Sant Anna
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sábado, 24 de dezembro de 2011
O menino do mundo
Menino do mundo
Tantos anos se passaram, mas para mim é como se fosse hoje. Na minha idade a lembrança é como o meu cachorrinho Lalau que brinca de se esconder, indo e vindo quando quer, mas, volta e meia ele está ao meu lado com um olhar de político evangélico. É um bom cachorro, mas cheio de vontade, malcriado, igualzinho ao finado meu marido, José. De uns tempo para cá, Lalau tem sido minha única companhia nessas brenhas em que vivo isolada. O lugar é tão danado que colocaram o nome de Rasgo da Vilma em homenagem a uma libertina famosa que viveu e fez fama na região. No entanto, gosto do lugar, das suas cores selvagens, do calor do dia e do frio da noite, não me sinto sozinha, mas abraçada pelas pessoas ausentes, pelos fantasmas que sempre estão presentes. Ah, ia me esquecendo do cavalo Rolete. Etâ, cavalinho marrento! O danado que tem mais idade do que piolhos "bolsistas"que passeiam nas cabeças dos meninos da região, no entanto, ao ver uma égua nova o desgraçado fica todo sibite, relinchando de um lado para o outro. Só vejo tamanha alegria quando ele escuta na feira da cidade as músicas de Amado Batista.
Como estava falando, a minha memória ia ficando rebelde na medida em que cresciam os meus cabelos brancos, porém, o que vou contar, lembro-me como se fosse hoje. José, meu marido, era muito mais velho do que eu, mas, na época, uma menina distinta que estava beirando aos dezessete anos não podia escolher marido. Isso era tarefa dos pais que não abriam mão dessa escolha, consequentemente, determinavam como seria a felicidade das suas inestimáveis filhas. José era um homem tosco, quase analfabeto, mas era um bom homem. Possuía um coração de ouro e tentava me agradar de todas as maneiras, sem falar na sua generosidade reconhecida por com todos os necessitados. Eu possui a sorte de ter um tia solteirona que era professora que me ensinou a arte da boa escrita e passear com muito prazer nos livros emprestados, doados ou surrupiados. No entanto, com tanta cultura, nunca consegui presentear José com um filho que tanto queria. Coisas da natureza.
Fazia três meses que me encontrava hospedada no sítio de uma tia que morava no Sul, pois estava me restabelecendo de uma enfermidade e José achou por bem que viajasse para lá. "O clima vai lhe fazer bem", falou, ordenando-me que partisse. Um dia, bem cedinho, ouvimos um choro insistente de uma criança que descobrimos ser proveniente do estábulo. Era um recém nascido lindo e vermelhinho de tanto chorar. Meu coração raciocinou sem atropelo e voltei para a companhia de José com o rebento no colo. "Mulher você é doida de pedra", me recepcionou, José, com seu rosto de caatinga e sorriso de mel. Logo que desci da marinete, foi a vez dos olhares populares do tipo "foi ter o filho fora", para logo após mudarem para olhares "quem foi o pai", e antes que aparecesse um "mau olhado", disparei: "Foi um milagre; obra do Espírito Santo".
O moleque foi batizado com o nome de Messias de Araújo, nome que José insistiu com muito vigor, apesar de ter preferido um mais charmoso, originado das minhas leituras. Messias cresceu com doçura e firmeza, ajudando a José nos trabalhos do campo e a noite aprendia a ler e escrever ouvindo as minhas histórias. Sempre ouvi o ditado popular que um abandonado sempre abandona as pessoas, no entanto, Messias nunca se sentiu abandonado e nunca abandonou ninguém. Desde de pequeno acreditava ser uma pessoa especial, constatação essa que não o fazia abrir em leque as suas penas e inchar o peito como um pavão, mas ter um crescente peso da responsabilidade para com os outros, como um Guará alfa em relação a sua matilha. Foi essa especialidade que o fez crescer o cabelo, colocar barba, usar uma bolsa de couro à tiracolo, devorar avidamente livros com capas vermelhas e chamar todas as pessoas de camaradas. Mas, nem todas as pessoas gostavam de ser chamadas por esse nome, como, por exemplo, os coronéis da região, o juiz, o promotor, o padre e os políticos importantes da região. Camarada como sinônimo de amigo, eles ainda suportavam, mas quando essa palavra se associava à frase "a terra é para todos", a jagunçada dos poderosos caía de pau, matando até os passarinhos de cabeça vermelha.
Um dia fui à feira com José e encontramos com o juiz e o promotor que estavam comemorando o recebimento de um vultosa quantia, uma tal de verba indenizatória que as más línguas chocalhavam dizendo ser dinheiro surrupiado do povo. Eles estavam com bom humor e quase embriagados, mas não perderam tempo; ameaçaram Messias. José que de manso não tinha nada, disse: "Diga aos coronéis que José não tem medo de nenhum macho vivente". Eles conheciam o passado de José e ficaram em silêncio. Uma semana após, o silêncio foi quebrado por uma saraivada de tiros. Enterramos José na sombra de um Jequitibá, na terra que ele tanto gostava e que sempre afirmava que um dia descansaria abraçado por ela. Meu bom José descansou, pois de uma forma ou de outra, todos descansam.
Messias depois desse trágico acontecimento nunca mais descansou. O pároco da região cansado e assustado pediu para ser removido e o seu lugar foi ocupado por Frei Antônio que gostava de repetir as frases de Cristo e imitá-lo na sua preferência pelos despossuidos. Como as beatas de sacristia eram ligadas às esposas dos homens poderosos, defendiam com muita garra que essas histórias de rico não entrar no reino do céu e o milagre da multiplicação dos pães e peixes só tinham vigência na Galileia. Assim, como moravam em outro local e em outra época, resolveram invadir a sede da Igreja em nome de Deus e expulsaram o padre satanás. A Arquidiocese protestou junto ao Judiciário que prontamente negou o pedido liminar de reintegração e com toda a velocidade de um cágado, começou a instruir o processo. Frei Antônio que estava sem eira nem beira, resolveu que sua casa devia ser intinerante, um dia na casa de um, outro dia na casa de outro, fato esse que elevou o religioso para o patamar de Pastor de todas as almas pobres e viventes. O tiro tinha saído pela culatra, pois a maioria da população se reunia nas missas das catacumbas, enquanto apenas meia dúzia de pessoas iam à sede a Igreja ouvir as lamúrias odiosas das beatas carpideiras.
Messias ajudado por Frei Antônio tornou-se uma liderança incontestável do crescente sindicato rural que, cada dia que passava aumentava seu prestígio na região, tendo sua fama alcançado outras searas e rincões. Os poderosos sabiam que deviam fazer alguma coisa e fizeram. Trabalhadores eram espancados, algumas casas eram queimadas e duas importantes lideranças sindicais foram mortas na calada da noite. Messias vivia se escondendo como um camaleão de caatinga, mas o meu coração de mãe cada dia que passava ficava mais apertado. Não tinha laços sangüíneos com Messias; tínhamos afinidades dos corações e um sabia quando o outro estava deixando de bater.
Em um dia obscuro que a lembrança embaça, o coração do meu menino parou de bater. Juntei o que restava do seu corpo com a intenção de enterrá-lo na sombra do Jeuquitibá, junto com seu pai José. Entretanto, percebi que seu lugar era o Monte Grande, lugar onde deu o último suspiro. Messias não era nosso; era do mundo. Nunca disse a ninguém onde ele estava enterrado porque queria evitar que fosse canonizado pelos crentes desesperados e com isso aparecessem as romarias e o pior: falassem palavras que nunca disse e matassem outras pessoas em seu nome.
Hoje é natal e isso me faz lembrar o menino do estábulo que coloquei nos meus braços. José gostava do Natal e ficava com a cara de Papai Noel do agreste toda vez que dava um presente a Messias que lhe abraçava com entusiasmo. Meus queridos se foram e estou terminado a minha caminhada por esse mundo de Deus. Espero encontrá-los seja lá onde for. mesmo que seja para um breve aceno e um olhar infinito de amor. Já consegui perdoar os seus algozes, pois, no fundo, eram tão pequenos. Eles não sabiam o que faziam em decorrência de terem grandes egos inflados pelo egoísmo e pequena dimensão da comunhão divina. Nesse natal percebi com clareza uma coisa: sempre vai existir um menino da manjedoura que vai lutar pelos humildes e morrer por mãos ávidas pela posse, movidas por corações egoístas. Messias era irmão de coração do menino da manjedoura e ambos eram meninos do mundo.
Boa caminhada, meu filho
Feliz Natal
Ivan Bezerra de Sant Anna
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Tantos anos se passaram, mas para mim é como se fosse hoje. Na minha idade a lembrança é como o meu cachorrinho Lalau que brinca de se esconder, indo e vindo quando quer, mas, volta e meia ele está ao meu lado com um olhar de político evangélico. É um bom cachorro, mas cheio de vontade, malcriado, igualzinho ao finado meu marido, José. De uns tempo para cá, Lalau tem sido minha única companhia nessas brenhas em que vivo isolada. O lugar é tão danado que colocaram o nome de Rasgo da Vilma em homenagem a uma libertina famosa que viveu e fez fama na região. No entanto, gosto do lugar, das suas cores selvagens, do calor do dia e do frio da noite, não me sinto sozinha, mas abraçada pelas pessoas ausentes, pelos fantasmas que sempre estão presentes. Ah, ia me esquecendo do cavalo Rolete. Etâ, cavalinho marrento! O danado que tem mais idade do que piolhos "bolsistas"que passeiam nas cabeças dos meninos da região, no entanto, ao ver uma égua nova o desgraçado fica todo sibite, relinchando de um lado para o outro. Só vejo tamanha alegria quando ele escuta na feira da cidade as músicas de Amado Batista.
Como estava falando, a minha memória ia ficando rebelde na medida em que cresciam os meus cabelos brancos, porém, o que vou contar, lembro-me como se fosse hoje. José, meu marido, era muito mais velho do que eu, mas, na época, uma menina distinta que estava beirando aos dezessete anos não podia escolher marido. Isso era tarefa dos pais que não abriam mão dessa escolha, consequentemente, determinavam como seria a felicidade das suas inestimáveis filhas. José era um homem tosco, quase analfabeto, mas era um bom homem. Possuía um coração de ouro e tentava me agradar de todas as maneiras, sem falar na sua generosidade reconhecida por com todos os necessitados. Eu possui a sorte de ter um tia solteirona que era professora que me ensinou a arte da boa escrita e passear com muito prazer nos livros emprestados, doados ou surrupiados. No entanto, com tanta cultura, nunca consegui presentear José com um filho que tanto queria. Coisas da natureza.
Fazia três meses que me encontrava hospedada no sítio de uma tia que morava no Sul, pois estava me restabelecendo de uma enfermidade e José achou por bem que viajasse para lá. "O clima vai lhe fazer bem", falou, ordenando-me que partisse. Um dia, bem cedinho, ouvimos um choro insistente de uma criança que descobrimos ser proveniente do estábulo. Era um recém nascido lindo e vermelhinho de tanto chorar. Meu coração raciocinou sem atropelo e voltei para a companhia de José com o rebento no colo. "Mulher você é doida de pedra", me recepcionou, José, com seu rosto de caatinga e sorriso de mel. Logo que desci da marinete, foi a vez dos olhares populares do tipo "foi ter o filho fora", para logo após mudarem para olhares "quem foi o pai", e antes que aparecesse um "mau olhado", disparei: "Foi um milagre; obra do Espírito Santo".
O moleque foi batizado com o nome de Messias de Araújo, nome que José insistiu com muito vigor, apesar de ter preferido um mais charmoso, originado das minhas leituras. Messias cresceu com doçura e firmeza, ajudando a José nos trabalhos do campo e a noite aprendia a ler e escrever ouvindo as minhas histórias. Sempre ouvi o ditado popular que um abandonado sempre abandona as pessoas, no entanto, Messias nunca se sentiu abandonado e nunca abandonou ninguém. Desde de pequeno acreditava ser uma pessoa especial, constatação essa que não o fazia abrir em leque as suas penas e inchar o peito como um pavão, mas ter um crescente peso da responsabilidade para com os outros, como um Guará alfa em relação a sua matilha. Foi essa especialidade que o fez crescer o cabelo, colocar barba, usar uma bolsa de couro à tiracolo, devorar avidamente livros com capas vermelhas e chamar todas as pessoas de camaradas. Mas, nem todas as pessoas gostavam de ser chamadas por esse nome, como, por exemplo, os coronéis da região, o juiz, o promotor, o padre e os políticos importantes da região. Camarada como sinônimo de amigo, eles ainda suportavam, mas quando essa palavra se associava à frase "a terra é para todos", a jagunçada dos poderosos caía de pau, matando até os passarinhos de cabeça vermelha.
Um dia fui à feira com José e encontramos com o juiz e o promotor que estavam comemorando o recebimento de um vultosa quantia, uma tal de verba indenizatória que as más línguas chocalhavam dizendo ser dinheiro surrupiado do povo. Eles estavam com bom humor e quase embriagados, mas não perderam tempo; ameaçaram Messias. José que de manso não tinha nada, disse: "Diga aos coronéis que José não tem medo de nenhum macho vivente". Eles conheciam o passado de José e ficaram em silêncio. Uma semana após, o silêncio foi quebrado por uma saraivada de tiros. Enterramos José na sombra de um Jequitibá, na terra que ele tanto gostava e que sempre afirmava que um dia descansaria abraçado por ela. Meu bom José descansou, pois de uma forma ou de outra, todos descansam.
Messias depois desse trágico acontecimento nunca mais descansou. O pároco da região cansado e assustado pediu para ser removido e o seu lugar foi ocupado por Frei Antônio que gostava de repetir as frases de Cristo e imitá-lo na sua preferência pelos despossuidos. Como as beatas de sacristia eram ligadas às esposas dos homens poderosos, defendiam com muita garra que essas histórias de rico não entrar no reino do céu e o milagre da multiplicação dos pães e peixes só tinham vigência na Galileia. Assim, como moravam em outro local e em outra época, resolveram invadir a sede da Igreja em nome de Deus e expulsaram o padre satanás. A Arquidiocese protestou junto ao Judiciário que prontamente negou o pedido liminar de reintegração e com toda a velocidade de um cágado, começou a instruir o processo. Frei Antônio que estava sem eira nem beira, resolveu que sua casa devia ser intinerante, um dia na casa de um, outro dia na casa de outro, fato esse que elevou o religioso para o patamar de Pastor de todas as almas pobres e viventes. O tiro tinha saído pela culatra, pois a maioria da população se reunia nas missas das catacumbas, enquanto apenas meia dúzia de pessoas iam à sede a Igreja ouvir as lamúrias odiosas das beatas carpideiras.
Messias ajudado por Frei Antônio tornou-se uma liderança incontestável do crescente sindicato rural que, cada dia que passava aumentava seu prestígio na região, tendo sua fama alcançado outras searas e rincões. Os poderosos sabiam que deviam fazer alguma coisa e fizeram. Trabalhadores eram espancados, algumas casas eram queimadas e duas importantes lideranças sindicais foram mortas na calada da noite. Messias vivia se escondendo como um camaleão de caatinga, mas o meu coração de mãe cada dia que passava ficava mais apertado. Não tinha laços sangüíneos com Messias; tínhamos afinidades dos corações e um sabia quando o outro estava deixando de bater.
Em um dia obscuro que a lembrança embaça, o coração do meu menino parou de bater. Juntei o que restava do seu corpo com a intenção de enterrá-lo na sombra do Jeuquitibá, junto com seu pai José. Entretanto, percebi que seu lugar era o Monte Grande, lugar onde deu o último suspiro. Messias não era nosso; era do mundo. Nunca disse a ninguém onde ele estava enterrado porque queria evitar que fosse canonizado pelos crentes desesperados e com isso aparecessem as romarias e o pior: falassem palavras que nunca disse e matassem outras pessoas em seu nome.
Hoje é natal e isso me faz lembrar o menino do estábulo que coloquei nos meus braços. José gostava do Natal e ficava com a cara de Papai Noel do agreste toda vez que dava um presente a Messias que lhe abraçava com entusiasmo. Meus queridos se foram e estou terminado a minha caminhada por esse mundo de Deus. Espero encontrá-los seja lá onde for. mesmo que seja para um breve aceno e um olhar infinito de amor. Já consegui perdoar os seus algozes, pois, no fundo, eram tão pequenos. Eles não sabiam o que faziam em decorrência de terem grandes egos inflados pelo egoísmo e pequena dimensão da comunhão divina. Nesse natal percebi com clareza uma coisa: sempre vai existir um menino da manjedoura que vai lutar pelos humildes e morrer por mãos ávidas pela posse, movidas por corações egoístas. Messias era irmão de coração do menino da manjedoura e ambos eram meninos do mundo.
Boa caminhada, meu filho
Feliz Natal
Ivan Bezerra de Sant Anna
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Aladim

Aladim
Agora que você se foi, acho que posso alinhar algumas palavras que antes saltitavam devido às emoções que galopavam como cavalos selvagens em uma pradaria. Sei que você não me ouve e quando estava vivo, me escutava ao seu modo, saboreando a melodia, o rítmo e as entonações das palavras, .demonstrando o seu contentamento se lambendo, da mesma maneira que fazia quando lhe mostrava um osso. Acho que foi por isso que duas horas antes de você ir embora, preferi lhe presentear com uma música tocada ao violão, instrumento musical que adorava ouvir e quase sempre, deitava e fechava os olhos. Mas desta vez, você não fechou os olhos, mantendo-os abertos e fixados em mim. o que me provocou uma tristeza infinita.
Sabe por que fiquei triste naquele momento, Aladim? Porque sabia onde ia lhe levar e você nem desconfiava para onde estava indo, nem mesmo quando lhe coloquei naquela mesa que iria se tornar o seu último leito, você pressentiu. Mas era necessário, amigo. Essa doença implacável não tem cura e, infelizmente, está se alastrando como uma praga nos últimos oitos anos governados por políticos demagogos e populistas. Você se lembra daquele dia que estávamos passeando quando apareceu um bando de pessoas com camisas de um vermelho desbotado e que você começou a latir? Foram eles os seus algozes, os que não lhes permitiram ter uma velhice tranquila e exalar o seu último suspiro com o sentimento do dever cumprido. Mas a dor de ter lhe levado para os braços da morte vai estar comigo para sempre.
Acho que apesar de tudo, você teve uma boa vida. Lembra-se como você gostava de correr atrás das lagartixas, ou saltar verticalmente para pegar os cajus que ficavam nos galhos mais baixos? Tenho que me desculpar com você por uma coisa: nunca o levei para navegar no mar, apesar de recentemente fazer planos de levá-lo em um passeio de barco quando você melhorasse, mas, como você piorava a cada dia que passava, percebi que o mar que iria navegar era outro. Enfim, amigo, tudo é oceano.
As pessoas dizem que os cachorros são os melhores amigos do homem, porque são fiéis, dedicados e obedientes. Nunca concordei com isso. pois acho que o melhor amigo do homem deveria ser o próprio homem. Você sempre foi um cachorro diferente, cheio de vontades, desobediente quase sempre, rosnava quando estava insatisfeito e não foram poucas as vezes que me mostrou os dentes agressivos. No entanto, adorava me seguir para onde fosse e quase sempre presenteava-me com aquele olhar demorado e comprido de incontáveis quilômetros de ternura. Acho que foi por essas características que gostava tanto de você. Pensando melhor, amigo, acho que nem o melhor espelho do mundo refletiria melhor a minha imagem!
Estou muito triste, amigão, principalmente, quando vejo sua casa improvisada embaixo do microondas cheia de ossos que roía e guardava. Vou lhe confessar uma coisa: coloquei o seu nome Aladim pensando no gênio da garrafa, no entanto, nunca tive oportunidade de lhe fazer os três pedidos. Para que, não é? Você não iria me escutar e mesmo que isso acontecesse por obra mágica, da maneira que era voluntarioso, nunca teria a certeza que iria ser atendido. No entanto, Aladim, você me deu um dos maiores presentes do mundo, apesar de nunca ter tido plena consciência desse feito. Você me ensinou na prática a importância do Amor Findo, aquele que falava nos seus Sermões, o Pe. Antônio Vieira. Eu sei que não gostava muito dos religiosos e quase sempre rosnava quando pressentia a presença de alguns deles por perto. Se não me falta à memória, lembro-me daquele dia que estávamos passeando na praça da Catedral quando você ficou assustado com as gritarias histéricas oriundas de um palanque improvisado, o que lhe fez latir incessantemente. No entanto, recordo-me de uma senhora idosa que me cumprimentou com a frase "Jesus esteja convosco" e você se lambeu e balançou o rabo de contentamento.. Tive impressão naquele momento que o nome Jesus lhe soava bem, apesar de não suportar as gritarias daqueles que usam o nome dele em vão..
Sabe, Patuka, (gostava de lhe chamar assim, lembra-se?) você me permitiu com sua fragilidade doentia ter uma experiência plena de um Amor que não necessita de reconhecimentos ou de retornos. Porque dando se conquista e não recebe o amor, pois se o contrário fosse, seria apenas um negócio, não é verdade? Vou confessar-lhe uma coisa: todo o trabalho que me deu, como dar seus remédios na hora certa, ter que voltar para casa para não deixa-lo sozinho, não poder viajar, limpar as suas imensas e copiosas mijadas por todo o apartamento, no começo eram fardos muito pesados e sonhava com o dia que pudesse me afastar deles. Ao longo do tempo, descobri que me doar dava-me imenso prazer e nesse momento sinto uma grande falta desses encargos. O que não daria para estar limpando as suas cagadas e mijadas gloriosas...
Acho que isso é o Amor Findo, Patuskão. Tenho que ter eterna gratidão por ter me proporcionado essa experiência que vai me permitir vivenciar um amor diferente e muito mais abrangente em relação às pessoas e ao meu grande amor, minha filha princesinha. Sabe, houve épocas que deveria ter dado a minha filha muito mais que lhe proporcionei, mas o medo das águas oceânicas fez com que uma pequena ilha se parecesse com um continente. Por fim, quero desejar-lhe uma coisa: apesar de não acreditar nessas coisas de retorno ou reencarnações, mas se por ínfima possibilidade acontecer, desejo-lhe que volte como um lobo, não precisa ser o alfa, mas um simples lobo cercado por laços de solidariedade dos seus irmãos lobos e lobas. E se por um desses infindáveis mistérios da existência se deparar comigo, apenas me olhe nos olhos como sempre fez, levante a cabeça para o firmamento azul, me saúde com um uivo dos que são livres e se vá.
Que os deuses dos lobos lhe proteja!
Ivan Bezerra de Sant Anna
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quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Por que o povo não acredita?
Por que o povo não acredita?
Não é à toa ou sem propósitos que a maioria da população brasileira não acredita no Poder Judiciário. Teme, mas não confia. Acho que não é por falta de esforços dos senhores juízes que se desdobram para ser juízes, professores, legisladores, supercientistas e filósofos, tudo isso em busca do sentimento de justiça. Quem sabe se não são essas imensas atribuições que solapam a credibilidade e legitimidade? Existem pessoas que afirmam - e não são poucas - que essas inúmeras atribuições dos senhores juízes são usurpadas dos outros Poderes da República, numa clara manifestação do viés autoritário do Poder Judiciário que confunde juiz com um rei filósofo. Para alguns cientistas sociais o Poder Judiciário é paternalista, populista e devido à ampla possibilidade dos juízes emitirem sentenças múltiplas sobre os mesmos fundamentos dos pedidos e sem respeitarem a reserva política do legislador, as possibilidades de corrupções são imensas, assim como, as relações de compadrio e o corporativismo.
Apesar de ter pouca simpatia por essa tese, creio não ser totalmente desprovida de razão. É assustadora a hipótese de que o Poder Judiciário é o órgão que mantém e reproduz a corrupção no Brasil!!! Segundo os defensores dessa terrível tese, o crime, principalmente os de colarinho branco, encontra terra fértil para germinar devido ao grande índice da relação custo/benefício. Quem já viu empresários, políticos poderosos, juízes, administradores públicos no xadrez, com uma condenação definitiva? Para proteger essa imensa, amorfa e difusa rede de corrupção todos os órgãos judiciais fazem as suas partes. O delegado de polícia não deve investigar, mas se o fizer, deve fazê-lo de forma descuidada e superficial. O sr. Promotor público ao receber o inquérito policial, deve tratá-lo com descuido, e se possível, requerer o arquivamento, de acordo com interpretações sobre princípios gerais e abstratos, pois o referido promotor é parte e ao mesmo tempo não é parte: é fiscal da lei! (Um distúrbio de identidade encravado na Constituição Cidadã esquizofrênica) E por fim, se houver denúncia do sr. promotor, o juiz deve deixar o tempo correr, (pois o tempo cura todas as feridas) para finalmente haver o arquivamento, ou, na pior das hipóteses, emitir uma sentença de absolvição por insuficiência de provas.
Será que isso acontece realmente? Acho que essa tese peca pelo exagero, no entanto, vemos constantemente administradores públicos com patrimônios imensos, alguns juízes morando em apartamentos de coberturas, secretários do Estado ostentando sinais exteriores de riqueza, comerciantes falidos que viram Prefeitos e ficam milionários, um porteiro de zoológico que em oito anos virou um dos maiores exportadores de carne, e esses são apenas poucos exemplos da grande constelação de fatos estranhos. Se o cidadão comum observa tudo isso, porque os integrantes dos órgãos judiciais e auxiliares não enxergam? Seria um dos dois tipos de cegueira na quais "a segunda de cegos que vêem uma coisa por outra; a terceira de cegos que vendo o demais, só a sua cegueira não vêem", nas sábias palavras do Pe. Antônio Vieira? .Uma coisa é certa: se os delegados, promotores e juízes estão acometidos pela síndrome da cegueira, a população enxerga muito bem; mais do que devia.
Há quem afirme que a cegueira é uma doença nacional que se alastra em proporções alarmantes. Como não contraí esse vírus ou bactéria, a minha visão mesmo amplificada por um óculos, enxerga muitas coisas. Vou citar apenas alguns exemplos das minhas excursões visuais, pois se citasse todas dariam para encher dez livros de mil páginas. Li com meus envelhecidos olhos que esse mês o sr. Salvatore Alberto Cacciola foi posto em liberdade condicional, apesar de ser condenado por 13 anos de prisão por gestão fraudulenta de uma instituição financeira, e de já ter fugido para o exterior quando teve um Habeas Corpus concedido pela justiça brasileira. Tantas tentativas para extraditar o sr. Cacciola e depois desse enorme trabalho, o malandro consegue ficar livre! É que nossos juízes entendem que a liberdade condicional deve ser dada automaticamente ao cumprir um terço da pena, principalmente se essas pessoas beneficiadas forem ricas e poderosas.
Algum tempo atrás, um juiz que tinha fama de matador, sentou-se no banco dos réus para responder a acusação de ter sido um dos mandantes do assassinato de um promotor de justiça. O juiz foi condenado ao cumprimento de vinte anos de prisão pelo Tribunal do Júri e recorreu da sentença em liberdade. Depois de mais de cinco anos o seu recurso foi julgado e a sentença foi anulada porque foi esquecida uma transcrição para os autos de uma das quesitações. Um simples caso de esquecimento por parte de um funcionário teve o poder de anular uma sentença dada por unanimidade pelo Conselho de Sentença! Até os dias atuais, o que se sabe é que o juiz acusado de pistolagem, sempre que pode vai ao Fórum visitar os colegas, sabedor que o seu novo julgamento jamais será remarcado.
Uma certa vez, um Procurador do Estado resolveu impetrar uma ação judicial contra uma decisão administrava que decidiu acatar um requerimento de um professor sobre acesso vertical, com base em uma lei estadual, reconhecidamente inconstitucional. Ora, o Supremo Tribunal Federal por reiteradas vezes declarou que a ascensão vertical é sumamente proibida, tanto pela Constituição anterior, como na atual. Como a norma questionada encontrava-se repetida na Constituição estadual, a competência deslocou-se para o Tribunal de Justiça. Pipocaram os protestos dos professores, muitos deles que tinham sido beneficiados pela lei inconstitucional, com passeatas, atos de repúdio ao Governador, aos Desembargadores, tudo com um só objetivo: manter em vigência a lei estadual. Na época houve uma fofoca que foi realizada uma reunião ampliada com a presença do Governador, de desembargadores, dos representantes sindicais e de deputados estaduais, todos empenhados na busca de uma solução conciliatória. Mas como conciliar, uma lei inconstitucional pode se tornar constitucional? Pasmem vocês, mas foi isso que decidiu o Tribunal de Justiça! Em uma sessão plena, com apenas um voto contra, o nosso Tribunal de Justiça declarou a constitucionalidade da lei estadual, mesmo contrária à ordem normativa da Constituição Federal. O Procurador responsável pela ação fez o que deveria fazer: impetrou recurso extraordinário para o STF, mas o Procurador Geral avocou o processo e desistiu do recurso constitucional. Será que houve acordão? Não se sabe ao certo, mas com essa artimanha uma lei conseguiu a proeza de ser inconstitucional e constitucional ao mesmo tempo. Um professor de Filosofia, beneficiado pela curiosa decisão, no entanto, sem perder a ironia, disse: "Em nosso Estado se conseguiu, através dos Desembargadores filósofos, uma verdadeira revolução no campo filosófico, resolvendo o intricado problema do Ser e Não-Ser. Sem exclusões ou sucessões, casou os dois."
A história mais recente se deu em um Foro Federal. Aliás, esses juízes federais sediados em Sergipe estão se especializando em emitirem sentenças em um novo tipo de Direito: o Direito que eles gostariam que fossem! Tempos atrás, um juiz federal atendendo a solicitação peticionária de um religioso, declarou com efeito mandamental que a administração realizasse a prova do peticionário em um dia que não fosse no sábado, pois a religião do referido peticionário proibia qualquer atividade nesse dia. Ora, o nosso juiz com uma canetada destruiu a instituição da cidadania (a igualdade entre todos) e criou um Estado religioso com os seus privilégios santificados.
. O problema é que os juízes observam demais o que não devia e de menos o que deveria. Os nossos juízes federais não observam, acometidos por cegueiras do segundo tipo de Vieira, que existem critérios de conveniência e oportunidade administrativa que devem ser respeitados, pois são atos de escolhas valorativas discricionárias, próprias de um Poder eleito. Apesar do cargo de magistrado ser de maior importância para a sociedade, um juiz é um funcionário público com funções relevantes e jamais um agente político, pois, para tanto, precisaria do voto popular. A população espera que o Judiciário cumpra o seu poder arbitral para equalizar os conflitos individuais e sociais, garantir que a Constituição e as leis sejam respeitadas, porém nunca que seja substituto do legislador ou administrador eleito.
Dessa mesma cegueira foi acometido o juiz federal que julgou o caso de uma juíza estadual que foi reprovada na segunda fase de provas para o mestrado oferecido pela UFS. Mesmo achando estranho que uma juíza que entrou recentemente no Judiciário fique se preocupando em fazer curso de mestrado que é importante para quem vai se dedicar ao ensino, no entanto, direito é direito, mesmo tendo a consciência que um juiz deveria se dedicar integralmente a magistratura. O fato, entretanto, é que apesar da sua notória vaidade, a senhora juíza foi reprovada segundo critérios estabelecidos pela administração acadêmica do curso e não caberia ao sr. juiz federal mudar os critérios por não achar o mais justo. São critérios de conveniência administrativa/educacional que jamais poderiam ser avaliados pelo Judiciário, a não ser que os mesmos colidam com a lei ou a Constituição, mas nunca com um princípio de justiça vago, impreciso e abstrato. Mas o sr. juiz no caso preferiu vestir a beca acadêmica e como um superprofessor, um cientista em educação, ele mudou os critérios. Uma troca de favores entre juízes ou estamos assistindo mais um capítulo da instauração de República Judicial? Uma coisa é certa: sua excelência federal viu demais!
Isso me lembra de uma frase que ouvi do Sr. Antônio do Mercado, quando perguntei se confiava no Judiciário. Ele com um ar gozador que lhe é peculiar, me disse: " Como posso confiar em pessoas que não seguem o que está escrito? Gosto do preto no branco. Se escrevemos um coisa, o juiz vê outra; se planejamos nossas vidas, nossos negócios segundo o que está escrito na lei, o juiz diz o princípio é mais importante. Sou um homem simples e sem grandes estudos, mas essa história de princípios se reduz a um só: o princípio da picaretagem". Depois dessas ou de outras tantas, como fica a legitimidade do Judiciário, a gloriosa Ciência e a tão aclamada Lógica do Direito? Quem sabe se encontrem em um campo de futebol, exemplificado por um caso acontecido em nosso Capital, relatado por um Desembargador aposentado, ex-professor de Direito e pessoa proeminente das letras jurídicas. Com sua maneira peculiar e talentosa de contar um caso, ele relata que uma certa vez se encontrava no principal campo de futebol da cidade para assistir um clássico entre os principais times do Estado, acompanhado por um amigo que tinha fama de ser uma pessoa irreverente e criativa, sem falar na sua paixão imensurável pelo seu time. Lá para as tantas, em meio a uma acirrada troca de porradas e chutes, o árbitro marcou uma penalidade máxima contra o time do irreverente torcedor. que protestou aos brados: "Juiz ladrão, filho da puta. Fuleiro!" O nosso relator, para aclamar o ânimo do amigo disse que mesmo não estando clara a penalidade, o árbitro deve ter interpretado segundo os princípios reitores do jogo. Inconformado, o torcedor, disse: "Que princípios? Princípio é como mulher-dama que deita com qualquer um. Esse sacana não é mais um juiz; é um desembargador!".
Ivan Bezerra de Sant Anna
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Não é à toa ou sem propósitos que a maioria da população brasileira não acredita no Poder Judiciário. Teme, mas não confia. Acho que não é por falta de esforços dos senhores juízes que se desdobram para ser juízes, professores, legisladores, supercientistas e filósofos, tudo isso em busca do sentimento de justiça. Quem sabe se não são essas imensas atribuições que solapam a credibilidade e legitimidade? Existem pessoas que afirmam - e não são poucas - que essas inúmeras atribuições dos senhores juízes são usurpadas dos outros Poderes da República, numa clara manifestação do viés autoritário do Poder Judiciário que confunde juiz com um rei filósofo. Para alguns cientistas sociais o Poder Judiciário é paternalista, populista e devido à ampla possibilidade dos juízes emitirem sentenças múltiplas sobre os mesmos fundamentos dos pedidos e sem respeitarem a reserva política do legislador, as possibilidades de corrupções são imensas, assim como, as relações de compadrio e o corporativismo.
Apesar de ter pouca simpatia por essa tese, creio não ser totalmente desprovida de razão. É assustadora a hipótese de que o Poder Judiciário é o órgão que mantém e reproduz a corrupção no Brasil!!! Segundo os defensores dessa terrível tese, o crime, principalmente os de colarinho branco, encontra terra fértil para germinar devido ao grande índice da relação custo/benefício. Quem já viu empresários, políticos poderosos, juízes, administradores públicos no xadrez, com uma condenação definitiva? Para proteger essa imensa, amorfa e difusa rede de corrupção todos os órgãos judiciais fazem as suas partes. O delegado de polícia não deve investigar, mas se o fizer, deve fazê-lo de forma descuidada e superficial. O sr. Promotor público ao receber o inquérito policial, deve tratá-lo com descuido, e se possível, requerer o arquivamento, de acordo com interpretações sobre princípios gerais e abstratos, pois o referido promotor é parte e ao mesmo tempo não é parte: é fiscal da lei! (Um distúrbio de identidade encravado na Constituição Cidadã esquizofrênica) E por fim, se houver denúncia do sr. promotor, o juiz deve deixar o tempo correr, (pois o tempo cura todas as feridas) para finalmente haver o arquivamento, ou, na pior das hipóteses, emitir uma sentença de absolvição por insuficiência de provas.
Será que isso acontece realmente? Acho que essa tese peca pelo exagero, no entanto, vemos constantemente administradores públicos com patrimônios imensos, alguns juízes morando em apartamentos de coberturas, secretários do Estado ostentando sinais exteriores de riqueza, comerciantes falidos que viram Prefeitos e ficam milionários, um porteiro de zoológico que em oito anos virou um dos maiores exportadores de carne, e esses são apenas poucos exemplos da grande constelação de fatos estranhos. Se o cidadão comum observa tudo isso, porque os integrantes dos órgãos judiciais e auxiliares não enxergam? Seria um dos dois tipos de cegueira na quais "a segunda de cegos que vêem uma coisa por outra; a terceira de cegos que vendo o demais, só a sua cegueira não vêem", nas sábias palavras do Pe. Antônio Vieira? .Uma coisa é certa: se os delegados, promotores e juízes estão acometidos pela síndrome da cegueira, a população enxerga muito bem; mais do que devia.
Há quem afirme que a cegueira é uma doença nacional que se alastra em proporções alarmantes. Como não contraí esse vírus ou bactéria, a minha visão mesmo amplificada por um óculos, enxerga muitas coisas. Vou citar apenas alguns exemplos das minhas excursões visuais, pois se citasse todas dariam para encher dez livros de mil páginas. Li com meus envelhecidos olhos que esse mês o sr. Salvatore Alberto Cacciola foi posto em liberdade condicional, apesar de ser condenado por 13 anos de prisão por gestão fraudulenta de uma instituição financeira, e de já ter fugido para o exterior quando teve um Habeas Corpus concedido pela justiça brasileira. Tantas tentativas para extraditar o sr. Cacciola e depois desse enorme trabalho, o malandro consegue ficar livre! É que nossos juízes entendem que a liberdade condicional deve ser dada automaticamente ao cumprir um terço da pena, principalmente se essas pessoas beneficiadas forem ricas e poderosas.
Algum tempo atrás, um juiz que tinha fama de matador, sentou-se no banco dos réus para responder a acusação de ter sido um dos mandantes do assassinato de um promotor de justiça. O juiz foi condenado ao cumprimento de vinte anos de prisão pelo Tribunal do Júri e recorreu da sentença em liberdade. Depois de mais de cinco anos o seu recurso foi julgado e a sentença foi anulada porque foi esquecida uma transcrição para os autos de uma das quesitações. Um simples caso de esquecimento por parte de um funcionário teve o poder de anular uma sentença dada por unanimidade pelo Conselho de Sentença! Até os dias atuais, o que se sabe é que o juiz acusado de pistolagem, sempre que pode vai ao Fórum visitar os colegas, sabedor que o seu novo julgamento jamais será remarcado.
Uma certa vez, um Procurador do Estado resolveu impetrar uma ação judicial contra uma decisão administrava que decidiu acatar um requerimento de um professor sobre acesso vertical, com base em uma lei estadual, reconhecidamente inconstitucional. Ora, o Supremo Tribunal Federal por reiteradas vezes declarou que a ascensão vertical é sumamente proibida, tanto pela Constituição anterior, como na atual. Como a norma questionada encontrava-se repetida na Constituição estadual, a competência deslocou-se para o Tribunal de Justiça. Pipocaram os protestos dos professores, muitos deles que tinham sido beneficiados pela lei inconstitucional, com passeatas, atos de repúdio ao Governador, aos Desembargadores, tudo com um só objetivo: manter em vigência a lei estadual. Na época houve uma fofoca que foi realizada uma reunião ampliada com a presença do Governador, de desembargadores, dos representantes sindicais e de deputados estaduais, todos empenhados na busca de uma solução conciliatória. Mas como conciliar, uma lei inconstitucional pode se tornar constitucional? Pasmem vocês, mas foi isso que decidiu o Tribunal de Justiça! Em uma sessão plena, com apenas um voto contra, o nosso Tribunal de Justiça declarou a constitucionalidade da lei estadual, mesmo contrária à ordem normativa da Constituição Federal. O Procurador responsável pela ação fez o que deveria fazer: impetrou recurso extraordinário para o STF, mas o Procurador Geral avocou o processo e desistiu do recurso constitucional. Será que houve acordão? Não se sabe ao certo, mas com essa artimanha uma lei conseguiu a proeza de ser inconstitucional e constitucional ao mesmo tempo. Um professor de Filosofia, beneficiado pela curiosa decisão, no entanto, sem perder a ironia, disse: "Em nosso Estado se conseguiu, através dos Desembargadores filósofos, uma verdadeira revolução no campo filosófico, resolvendo o intricado problema do Ser e Não-Ser. Sem exclusões ou sucessões, casou os dois."
A história mais recente se deu em um Foro Federal. Aliás, esses juízes federais sediados em Sergipe estão se especializando em emitirem sentenças em um novo tipo de Direito: o Direito que eles gostariam que fossem! Tempos atrás, um juiz federal atendendo a solicitação peticionária de um religioso, declarou com efeito mandamental que a administração realizasse a prova do peticionário em um dia que não fosse no sábado, pois a religião do referido peticionário proibia qualquer atividade nesse dia. Ora, o nosso juiz com uma canetada destruiu a instituição da cidadania (a igualdade entre todos) e criou um Estado religioso com os seus privilégios santificados.
. O problema é que os juízes observam demais o que não devia e de menos o que deveria. Os nossos juízes federais não observam, acometidos por cegueiras do segundo tipo de Vieira, que existem critérios de conveniência e oportunidade administrativa que devem ser respeitados, pois são atos de escolhas valorativas discricionárias, próprias de um Poder eleito. Apesar do cargo de magistrado ser de maior importância para a sociedade, um juiz é um funcionário público com funções relevantes e jamais um agente político, pois, para tanto, precisaria do voto popular. A população espera que o Judiciário cumpra o seu poder arbitral para equalizar os conflitos individuais e sociais, garantir que a Constituição e as leis sejam respeitadas, porém nunca que seja substituto do legislador ou administrador eleito.
Dessa mesma cegueira foi acometido o juiz federal que julgou o caso de uma juíza estadual que foi reprovada na segunda fase de provas para o mestrado oferecido pela UFS. Mesmo achando estranho que uma juíza que entrou recentemente no Judiciário fique se preocupando em fazer curso de mestrado que é importante para quem vai se dedicar ao ensino, no entanto, direito é direito, mesmo tendo a consciência que um juiz deveria se dedicar integralmente a magistratura. O fato, entretanto, é que apesar da sua notória vaidade, a senhora juíza foi reprovada segundo critérios estabelecidos pela administração acadêmica do curso e não caberia ao sr. juiz federal mudar os critérios por não achar o mais justo. São critérios de conveniência administrativa/educacional que jamais poderiam ser avaliados pelo Judiciário, a não ser que os mesmos colidam com a lei ou a Constituição, mas nunca com um princípio de justiça vago, impreciso e abstrato. Mas o sr. juiz no caso preferiu vestir a beca acadêmica e como um superprofessor, um cientista em educação, ele mudou os critérios. Uma troca de favores entre juízes ou estamos assistindo mais um capítulo da instauração de República Judicial? Uma coisa é certa: sua excelência federal viu demais!
Isso me lembra de uma frase que ouvi do Sr. Antônio do Mercado, quando perguntei se confiava no Judiciário. Ele com um ar gozador que lhe é peculiar, me disse: " Como posso confiar em pessoas que não seguem o que está escrito? Gosto do preto no branco. Se escrevemos um coisa, o juiz vê outra; se planejamos nossas vidas, nossos negócios segundo o que está escrito na lei, o juiz diz o princípio é mais importante. Sou um homem simples e sem grandes estudos, mas essa história de princípios se reduz a um só: o princípio da picaretagem". Depois dessas ou de outras tantas, como fica a legitimidade do Judiciário, a gloriosa Ciência e a tão aclamada Lógica do Direito? Quem sabe se encontrem em um campo de futebol, exemplificado por um caso acontecido em nosso Capital, relatado por um Desembargador aposentado, ex-professor de Direito e pessoa proeminente das letras jurídicas. Com sua maneira peculiar e talentosa de contar um caso, ele relata que uma certa vez se encontrava no principal campo de futebol da cidade para assistir um clássico entre os principais times do Estado, acompanhado por um amigo que tinha fama de ser uma pessoa irreverente e criativa, sem falar na sua paixão imensurável pelo seu time. Lá para as tantas, em meio a uma acirrada troca de porradas e chutes, o árbitro marcou uma penalidade máxima contra o time do irreverente torcedor. que protestou aos brados: "Juiz ladrão, filho da puta. Fuleiro!" O nosso relator, para aclamar o ânimo do amigo disse que mesmo não estando clara a penalidade, o árbitro deve ter interpretado segundo os princípios reitores do jogo. Inconformado, o torcedor, disse: "Que princípios? Princípio é como mulher-dama que deita com qualquer um. Esse sacana não é mais um juiz; é um desembargador!".
Ivan Bezerra de Sant Anna
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quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Uma prece para Lula
Uma prece para Lula
Fiquei consternado com a notícia divulgada pelos órgãos informativos que está acometido dessa terrível doença que toma emprestado o nome do meu signo astral. Apesar de ser uma doença sumamente democrática, pois ataca impiedosamente ricos, pobres, bons e maus, ninguém merece padecer dela. Você como um democrata que sempre disse ser, entende o que estou escrevendo. Como já afirmei em outros artigos, por mais que me esforce, não consigo crer em entidades sobrenaturais em um outro mundo, que não seja o que vivo, em meio a outros seres humanos. Se tenho alguma crença, essa se baseia na fé inabalável nos filhos de Deus, e apesar das inúmeras imperfeições que carregam, possuem uma virtude que considero primordial: dar significado ao Mundo! As palavras de Santo Agostinho, em momentos mais humanos, fixaram uma bela e reveladora frase da destinação humana. "Deus criou o homem para que o mundo existisse", disse o filósofo.
Sei que é um homem de fé, católico fervoroso e isso talvez explique porque levou para casa o crucifixo que ornava a sala de reunião do Palácio do Planalto, um ato que muitos repudiaram, mas, plenamente justificável sob o aspecto religioso. Quem sabe se não foi uma premonição inconsciente de que seria acometido por essa doença e que o Cristo crucificado poderia lhe trazer esperança? Quem sou eu para julgar, se convivo com a dúvida todos os dias da minha vida? Se em alguns escritos afirmo alguma coisa, muitas vezes o faço para colocar em um papel o que algumas pessoas falam, outras vezes para dar voz as minhas personas, mas, como facilitador, apesar de apreciar umas versões em detrimento de outras, aceito-as, apenas, como verdades provisórias. Uma verdade muito simples: não existe verdade! Ela é sempre histórica, provisória e construída pelo homem para dar significado a si e ao Mundo.
Como já afirmei anteriormente, ninguém merece essa doença e fico muito triste quando leio certos articulistas que dizem receber cartas de milhares de leitores felizes com o seu padecimento, apontando causas como o seu hábito de beber uma cachaçinha, ou pedindo que seja solidário com a população e vá se curar pelo SUS. Mesmo você constantemente ter afirmado que fez tudo pelo social e a saúde, espero que não tenha de fazer uso sistema de saúde pública. Ninguém merece! Essa doença é terrível, Lula. Ela silencia as vozes vivas que deviam ser eternas e ao mesmo tempo permite a entrada no portal da fama de homens violentos, obscuros, mentirosos, que mesmo respirando o alento da vida, já estavam mortos. Ela não poupou Darci Ribeiro, Steve Jobs, Freud, Vianinha, George Harrison, Taiguara, o nosso Isnar Barreto, pessoas que viviam para criar, proteger, semear o conhecimento e a beleza. No entanto, ela deu sobrevida com glamour a um truculento coronel alagoano que se distraia matando trabalhadores rurais e que depois virou um menestrel com direito a uma música criada por um compositor ingênuo. Recentemente, transformou um empresário e político (o seu companheiro na Presidência) que na época da ditadura militar era denunciado como uns dos empresários que financiavam a tortura, em um homem maravilhoso que lutou heroicamente contra seu destino.
É que o câncer, Lula, mata, alivia e comove. Alivia alguns e comove outros. No caso de Hugo Chavez, alivia as velhas elites que sempre exploraram a Venezuela e veste de luto a imensa população de pobres e despossuídos. No seu caso, a quem o câncer vai aliviar ou comover? Será que essa terrível notícia da sua doença, difundida pela mídia, vai comover as pessoas ao ponto de leva-las ao esquecimento quanto às denúncias de corrupção efetuadas por companheiros seus? Se conseguir, já será um alívio, pois você nunca soube de nada, não é? Acredito na sua boa fé, porque, no fundo, sempre o achei ingênuo. Se o julgasse um articulista habilidoso com grande inteligência estratégica seria levado à conclusão que enganou a quase toda a população brasileira, inclusive aos seus companheiros trabalhadores. Só a ingenuidade pode explicar porque você apesar de ter dito constantemente que defende os trabalhadores, não deu um basta nas crescentes despedidas trabalhistas sem motivação - promessa que quando candidato fez aos trabalhadores - e em vez disso, começou a usar o termo neoliberal denominado "empregabilidade". Milhares de pessoas são colocados na rua pelos empregadores, porque até o presente momento o governo não propôs um projeto de lei para regulamentar o Inciso I do art. 7 da Constituição Federal, e o Judiciário só concretiza direitos em normas constitucionais de eficácia limitada, só se for contra o Estado. Quem vai se comover, patrões ou empregados? Para sua sorte, Lula, ambos, pois estamos no Brasil e qualquer esmola já é grande coisa.
Você não merece esse câncer, nem mesmo na sua versão mais benigna e comovente. Vou acreditar nos seus bons propósitos e na sua total cegueira, ao ponto de não ver o seu filho que oito anos atrás era um porteiro do Zoológico em São Paulo, se transformar em um proprietário de oitos grandes fazendas de gado e sócio minoritário da companhia telefônica OI. Como jamais vou acreditar que seu filhinho - como dizem por aí - é apenas proprietário de fachada, pois o verdadeiro dono é você. Sempre achei que haviam mais problemas de saúde do que aquele das cordas vocais que faziam as palavras ficarem trôpegas e embaralhadas. Você tem um problema de cegueira parcial que o impede de ver algumas coisas, certos detalhes. Para esse problema, mesmo não sendo um especialista no assunto, lhe aconselho um psicólogo especializado em fruição de águas, ou se não gostar de um "doutor de cabeça", escolha um médico especializado em trânsitos intermitentes e variáveis.
Desculpe-me pela brincadeira, Lula. É que estou emocionalmente perturbado pela notícia e tento de alguma maneira me sentir relaxado. Penso que o câncer que se instalou em sua laringe não é tão maligno e logo estará falando as suas pérolas filosóficas, mesmo sem aquele entonação "fuêm" que seus eleitores já estavam acostumados. Quer um conselho? Deixe de querer ser vítima, de comover as pessoas e vá colocar um óculos de grau mais potente. Gosto de você, da sua postura de ''pai do povo", mas me preocupa muito a sua cegueira. Como é que não viu a festa do mensalão comandada por José Dirceu? Como não enxergou o que Polocci, Orlando Silva e outros seus ministros estavam fazendo com o dinheiro público? E o pior: com sua ingenuidade você ainda ousou defende-los pela mídia. Como não percebeu que o BNDS estava distribuindo o dinheiro público para as grandes empresas, inclusive financiando a fundo perdido um estádio de futebol para o seu time de coração? Só uma cegueira em alto grau explica não ter visto que o dinheiro público destinado à educação pública está sendo desviado para o setor privado da educação através do PROUNI, enquanto as Universidades Federais estão sucateadas e dessa maneira, não podem oferecer um ensino digno, inclusive para os seus quotistas.
Lamento dizer isso, mas o seu maior problema de saúde não está localizado na laringe, ou em outro órgão físico. Acho que sofre de uma estranha histeria causada por traumas no passado quando era um garoto muito pobre, um ódio de classe que nunca foi superado por uma autêntica consciência de classe social, por isso mesmo, nos dias atuais, você sinta tanto orgulho do Lulinha, o grande proprietário de terras. Esse possível trauma talvez explique suas cegueiras constantes, seus lapsos de memória, suas explosões emocionais e sua extrema dificuldade em articular e pronunciar as palavras. Como você esqueceu dessa belíssima frase de Fagner que diz: "...e sem o seu trabalho/ o homem não tem honra/ e sem a sua honra/ se morre, se mata"? Felizmente, o nosso pacato brasileiro não mata; se contenta em receber uma bolsa "disso e daquilo", sem trabalho e sem honra. Afinal, a honra existe para quem dignifica o trabalho e não para quem quer viver de renda, mesmo que insignificante. Mas esse não é o grande sonho de quase todos os seus eleitores?
Lula, o seu maior lapso de memória mais atroz foi ter esquecido a sua contribuição para a politização da sociedade. Mesmo em momentos mais difíceis, a sua voz se fazia ouvir, assim como de outros líderes políticos, propiciando uma dialética pedagógica contra a alienação e o analfabetismo político. Nunca em nenhum momento da história desse País, inclusive nos anos de chumbo, se observou um marasmo, uma desmobilização política, como a que está havendo atualmente. Os sindicatos estão silenciados politicamente; as Ongs corrompidas por dotações financeiras estatais; os DCEs e a UNE só falam em ecologia, mesmo assim em algumas áreas permitidas; os intelectuais que formavam consciências tempo atrás, hoje, quando não são calados através de cargos ou financiamentos para os seus projetos, usam o silêncio para esconder suas vergonhas, suas desilusões e para não ter que pedir desculpas a quem acreditou neles. Os órgãos financiadores de produções culturais que outrora propiciaram o renascimento do cinema brasileiro, em dias atuais só financiam comédias sobre o cotidiano, mesmo assim sem quaisquer resíduos de indagações políticas. Claro que para agradar a grupos de vanguardas "intelectuais" que aderem a essa nova proposta de organização de sociedade, a eles são concedidas algumas liberdades políticas, mesmo porque seus públicos não passam de meia dúzia de pessoas "entendidas". Falta de memória ou cegueira, Lula?
Você vai se curar do câncer, Lula, e disso eu tenho certeza. Mas da sua falta de memória e sua cegueira, acho muito difícil a cura. No entanto, se isso acontecer, da sua ingenuidade não vai se curar jamais. É necessário ser muito ingênuo para não perceber que os elogios constantemente oferecidos por empresários, líderes políticos e jornalistas de países de economias centrais são, no mínimo, muitos suspeitos, principalmente quando são oriundos da terra do Tio Sam. Algo cheira a podre, mas parece que você também perdeu o olfato. Engraçado é que líderes de países que ousam desafiar a poderosa águia americana, quando não são destruídos, são difamados com uma variada coleção de adjetivos desqualificadores. Existe quem diga que eles lhe elogiam porque você é muito bonzinho e atendeu a todos os seus pedidos. Pode até ser verdade, mas se você fez isso foi por pura ingenuidade, típica daqueles que acreditam que uma raposa livre pode conviver harmoniosamente dentro de um galinheiro livre. Acho que é por essa razão que você anda desfilando de mãos dadas com empresários de duas maiores construtoras do País, dando palestras e fazendo pedidos para vários chefes de governos contratarem os serviços dessas poderosas empresas de construção civil.
Você vai se curar do câncer, mas por via das dúvidas, faça uma promessa solene aos pés daquele crucifixo usucapido do Planalto. Prometa ao Cristo (sem cruzar os dedos) que se você se curar dessa maldita doença vai abandonar definitivamente a política, aproveitando o seu tempo para viajar com sua amada Marisa e de vez em quando para matar a saudade do campo, passe uns tempos nas imensas propriedades do Lulinha, onde pastam os bois servis. Mas tenha muito cuidado com as pessoas que moram nessas regiões. Elas podem lhe influenciar e como você sofre de ingenuidade crônica e momentaneamente pode perder a memória, corre o risco de pensar que é um antigo coronel e sair grilando terras.
Saúde para você, Lula
Ivan Bezerra de Sant' Anna
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Fiquei consternado com a notícia divulgada pelos órgãos informativos que está acometido dessa terrível doença que toma emprestado o nome do meu signo astral. Apesar de ser uma doença sumamente democrática, pois ataca impiedosamente ricos, pobres, bons e maus, ninguém merece padecer dela. Você como um democrata que sempre disse ser, entende o que estou escrevendo. Como já afirmei em outros artigos, por mais que me esforce, não consigo crer em entidades sobrenaturais em um outro mundo, que não seja o que vivo, em meio a outros seres humanos. Se tenho alguma crença, essa se baseia na fé inabalável nos filhos de Deus, e apesar das inúmeras imperfeições que carregam, possuem uma virtude que considero primordial: dar significado ao Mundo! As palavras de Santo Agostinho, em momentos mais humanos, fixaram uma bela e reveladora frase da destinação humana. "Deus criou o homem para que o mundo existisse", disse o filósofo.
Sei que é um homem de fé, católico fervoroso e isso talvez explique porque levou para casa o crucifixo que ornava a sala de reunião do Palácio do Planalto, um ato que muitos repudiaram, mas, plenamente justificável sob o aspecto religioso. Quem sabe se não foi uma premonição inconsciente de que seria acometido por essa doença e que o Cristo crucificado poderia lhe trazer esperança? Quem sou eu para julgar, se convivo com a dúvida todos os dias da minha vida? Se em alguns escritos afirmo alguma coisa, muitas vezes o faço para colocar em um papel o que algumas pessoas falam, outras vezes para dar voz as minhas personas, mas, como facilitador, apesar de apreciar umas versões em detrimento de outras, aceito-as, apenas, como verdades provisórias. Uma verdade muito simples: não existe verdade! Ela é sempre histórica, provisória e construída pelo homem para dar significado a si e ao Mundo.
Como já afirmei anteriormente, ninguém merece essa doença e fico muito triste quando leio certos articulistas que dizem receber cartas de milhares de leitores felizes com o seu padecimento, apontando causas como o seu hábito de beber uma cachaçinha, ou pedindo que seja solidário com a população e vá se curar pelo SUS. Mesmo você constantemente ter afirmado que fez tudo pelo social e a saúde, espero que não tenha de fazer uso sistema de saúde pública. Ninguém merece! Essa doença é terrível, Lula. Ela silencia as vozes vivas que deviam ser eternas e ao mesmo tempo permite a entrada no portal da fama de homens violentos, obscuros, mentirosos, que mesmo respirando o alento da vida, já estavam mortos. Ela não poupou Darci Ribeiro, Steve Jobs, Freud, Vianinha, George Harrison, Taiguara, o nosso Isnar Barreto, pessoas que viviam para criar, proteger, semear o conhecimento e a beleza. No entanto, ela deu sobrevida com glamour a um truculento coronel alagoano que se distraia matando trabalhadores rurais e que depois virou um menestrel com direito a uma música criada por um compositor ingênuo. Recentemente, transformou um empresário e político (o seu companheiro na Presidência) que na época da ditadura militar era denunciado como uns dos empresários que financiavam a tortura, em um homem maravilhoso que lutou heroicamente contra seu destino.
É que o câncer, Lula, mata, alivia e comove. Alivia alguns e comove outros. No caso de Hugo Chavez, alivia as velhas elites que sempre exploraram a Venezuela e veste de luto a imensa população de pobres e despossuídos. No seu caso, a quem o câncer vai aliviar ou comover? Será que essa terrível notícia da sua doença, difundida pela mídia, vai comover as pessoas ao ponto de leva-las ao esquecimento quanto às denúncias de corrupção efetuadas por companheiros seus? Se conseguir, já será um alívio, pois você nunca soube de nada, não é? Acredito na sua boa fé, porque, no fundo, sempre o achei ingênuo. Se o julgasse um articulista habilidoso com grande inteligência estratégica seria levado à conclusão que enganou a quase toda a população brasileira, inclusive aos seus companheiros trabalhadores. Só a ingenuidade pode explicar porque você apesar de ter dito constantemente que defende os trabalhadores, não deu um basta nas crescentes despedidas trabalhistas sem motivação - promessa que quando candidato fez aos trabalhadores - e em vez disso, começou a usar o termo neoliberal denominado "empregabilidade". Milhares de pessoas são colocados na rua pelos empregadores, porque até o presente momento o governo não propôs um projeto de lei para regulamentar o Inciso I do art. 7 da Constituição Federal, e o Judiciário só concretiza direitos em normas constitucionais de eficácia limitada, só se for contra o Estado. Quem vai se comover, patrões ou empregados? Para sua sorte, Lula, ambos, pois estamos no Brasil e qualquer esmola já é grande coisa.
Você não merece esse câncer, nem mesmo na sua versão mais benigna e comovente. Vou acreditar nos seus bons propósitos e na sua total cegueira, ao ponto de não ver o seu filho que oito anos atrás era um porteiro do Zoológico em São Paulo, se transformar em um proprietário de oitos grandes fazendas de gado e sócio minoritário da companhia telefônica OI. Como jamais vou acreditar que seu filhinho - como dizem por aí - é apenas proprietário de fachada, pois o verdadeiro dono é você. Sempre achei que haviam mais problemas de saúde do que aquele das cordas vocais que faziam as palavras ficarem trôpegas e embaralhadas. Você tem um problema de cegueira parcial que o impede de ver algumas coisas, certos detalhes. Para esse problema, mesmo não sendo um especialista no assunto, lhe aconselho um psicólogo especializado em fruição de águas, ou se não gostar de um "doutor de cabeça", escolha um médico especializado em trânsitos intermitentes e variáveis.
Desculpe-me pela brincadeira, Lula. É que estou emocionalmente perturbado pela notícia e tento de alguma maneira me sentir relaxado. Penso que o câncer que se instalou em sua laringe não é tão maligno e logo estará falando as suas pérolas filosóficas, mesmo sem aquele entonação "fuêm" que seus eleitores já estavam acostumados. Quer um conselho? Deixe de querer ser vítima, de comover as pessoas e vá colocar um óculos de grau mais potente. Gosto de você, da sua postura de ''pai do povo", mas me preocupa muito a sua cegueira. Como é que não viu a festa do mensalão comandada por José Dirceu? Como não enxergou o que Polocci, Orlando Silva e outros seus ministros estavam fazendo com o dinheiro público? E o pior: com sua ingenuidade você ainda ousou defende-los pela mídia. Como não percebeu que o BNDS estava distribuindo o dinheiro público para as grandes empresas, inclusive financiando a fundo perdido um estádio de futebol para o seu time de coração? Só uma cegueira em alto grau explica não ter visto que o dinheiro público destinado à educação pública está sendo desviado para o setor privado da educação através do PROUNI, enquanto as Universidades Federais estão sucateadas e dessa maneira, não podem oferecer um ensino digno, inclusive para os seus quotistas.
Lamento dizer isso, mas o seu maior problema de saúde não está localizado na laringe, ou em outro órgão físico. Acho que sofre de uma estranha histeria causada por traumas no passado quando era um garoto muito pobre, um ódio de classe que nunca foi superado por uma autêntica consciência de classe social, por isso mesmo, nos dias atuais, você sinta tanto orgulho do Lulinha, o grande proprietário de terras. Esse possível trauma talvez explique suas cegueiras constantes, seus lapsos de memória, suas explosões emocionais e sua extrema dificuldade em articular e pronunciar as palavras. Como você esqueceu dessa belíssima frase de Fagner que diz: "...e sem o seu trabalho/ o homem não tem honra/ e sem a sua honra/ se morre, se mata"? Felizmente, o nosso pacato brasileiro não mata; se contenta em receber uma bolsa "disso e daquilo", sem trabalho e sem honra. Afinal, a honra existe para quem dignifica o trabalho e não para quem quer viver de renda, mesmo que insignificante. Mas esse não é o grande sonho de quase todos os seus eleitores?
Lula, o seu maior lapso de memória mais atroz foi ter esquecido a sua contribuição para a politização da sociedade. Mesmo em momentos mais difíceis, a sua voz se fazia ouvir, assim como de outros líderes políticos, propiciando uma dialética pedagógica contra a alienação e o analfabetismo político. Nunca em nenhum momento da história desse País, inclusive nos anos de chumbo, se observou um marasmo, uma desmobilização política, como a que está havendo atualmente. Os sindicatos estão silenciados politicamente; as Ongs corrompidas por dotações financeiras estatais; os DCEs e a UNE só falam em ecologia, mesmo assim em algumas áreas permitidas; os intelectuais que formavam consciências tempo atrás, hoje, quando não são calados através de cargos ou financiamentos para os seus projetos, usam o silêncio para esconder suas vergonhas, suas desilusões e para não ter que pedir desculpas a quem acreditou neles. Os órgãos financiadores de produções culturais que outrora propiciaram o renascimento do cinema brasileiro, em dias atuais só financiam comédias sobre o cotidiano, mesmo assim sem quaisquer resíduos de indagações políticas. Claro que para agradar a grupos de vanguardas "intelectuais" que aderem a essa nova proposta de organização de sociedade, a eles são concedidas algumas liberdades políticas, mesmo porque seus públicos não passam de meia dúzia de pessoas "entendidas". Falta de memória ou cegueira, Lula?
Você vai se curar do câncer, Lula, e disso eu tenho certeza. Mas da sua falta de memória e sua cegueira, acho muito difícil a cura. No entanto, se isso acontecer, da sua ingenuidade não vai se curar jamais. É necessário ser muito ingênuo para não perceber que os elogios constantemente oferecidos por empresários, líderes políticos e jornalistas de países de economias centrais são, no mínimo, muitos suspeitos, principalmente quando são oriundos da terra do Tio Sam. Algo cheira a podre, mas parece que você também perdeu o olfato. Engraçado é que líderes de países que ousam desafiar a poderosa águia americana, quando não são destruídos, são difamados com uma variada coleção de adjetivos desqualificadores. Existe quem diga que eles lhe elogiam porque você é muito bonzinho e atendeu a todos os seus pedidos. Pode até ser verdade, mas se você fez isso foi por pura ingenuidade, típica daqueles que acreditam que uma raposa livre pode conviver harmoniosamente dentro de um galinheiro livre. Acho que é por essa razão que você anda desfilando de mãos dadas com empresários de duas maiores construtoras do País, dando palestras e fazendo pedidos para vários chefes de governos contratarem os serviços dessas poderosas empresas de construção civil.
Você vai se curar do câncer, mas por via das dúvidas, faça uma promessa solene aos pés daquele crucifixo usucapido do Planalto. Prometa ao Cristo (sem cruzar os dedos) que se você se curar dessa maldita doença vai abandonar definitivamente a política, aproveitando o seu tempo para viajar com sua amada Marisa e de vez em quando para matar a saudade do campo, passe uns tempos nas imensas propriedades do Lulinha, onde pastam os bois servis. Mas tenha muito cuidado com as pessoas que moram nessas regiões. Elas podem lhe influenciar e como você sofre de ingenuidade crônica e momentaneamente pode perder a memória, corre o risco de pensar que é um antigo coronel e sair grilando terras.
Saúde para você, Lula
Ivan Bezerra de Sant' Anna
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011
A Maçã
A Maçã
Elas são vermelhas, algumas verdes, mas nunca, pretas. Elas jamais vestem o preto da dor, o luto de cor ausente, a negritude da noite alta. Jamais deixariam de ser a cor da vida, mesmo morrendo ilustres protegidos como John Lenon, George Harrison e, presentemente, Steve Jobs. Eram maçãs diferentes; uma verde, com gosto e cheiro de música; outra de vermelha cor, mordida timidamente em um dos lados, evocando o prazer da primeira mordida. Virgens ou levemente tocadas; vermelhas ou verdes; nomes soados por línguas diferentes, pouco importam: elas representam o desafio permanente do ser humano em busca da beleza, dos diálogos das cores, das notas harmonizadas, das transgressões criativas, dos concertos das palavras.
De certa forma, a maçã levemente mordida e Steve Jobs se confundiam, não se sabendo precisamente onde começava um ou terminava a outra. Uma marca, um talento que , queiram ou não os seus detratores, pontuaram pela singularidade e inovação, e não foram poucos que tentaram imita-los. Podia-se dizer, com alguma razão, que Jobs e a maçã eram cultuadores do "sonho americano", do individualismo possessivo, da monopolização tecnológica. Mas havia limites! Àqueles que os críticos denominavam de "falhas", ausências, e tendência à monopolização, também poderiam ser interpretados como limitações autoimpostas em busca da originalidade criativa, assim como um poeta enfrentando as regras limitadoras, procura a palavra certa, o ritmo adequado e a musicalidade conformadora. Steve Jobs tocava um piano limitado por oitenta e oito notas, no entanto, sua música ressoava em notas infinitas, para o desgosto dos inovadores apressados e com talentos duvidosos. Apesar do seu intenso ritmo criativo, em certos momentos era pacientemente devagar quando burilava a imagem virtual dos vários macs, como um artesão iraniano pintando uma bela iluminária com um pincel de pelo de gato persa, em um pergaminho de couro de ovelha. Talvez por isso os neerds, os fabricadores de vírus, não lhe incomodassem tanto, apesar de seus sonhos grandiloqüentes e outros tantos pecados.
Em vida, poderia se defender das inúmeras acusações dos seus detratores, usando a bela frase poética de Hopkins: "O que eu faço sou eu; foi por isso que vim". No entanto, sua resposta era a imagem qualitativa oriunda das suas criações tecnológicas, como se instintivamente acreditasse que o conceito, mesmo socorrido pelas metáforas, precisa da imagem para se fazer entender. Se por isso ele veio, por razão nenhuma se foi, mansamente, em paz. A doença, as dores, foram as pedras no caminho; e pedras são apenas pedras...
Fico imaginando Steve Jobs ante o limite maior, encarando a enigmática finitude. Me compraz imaginar que ele nesse momento via o mar, as ondas nascendo, crescendo e formando arrebentação espumosa. Ondas que colidem derrubando esculturas na areia dos falsos iconoclastas, mas que constroem belas esculturas nas rochas, fendas por onde assobia o vento, produzindo um som de uma flauta magica que, entre um som e outro, quer apenas dizer: "Calma, homem. Elas vão e voltam. Afinal, tudo é oceano".
Não sou um homem religioso, portanto, não lhe vejo adentrando o Portal do Paraíso eterno, mesmo porque esse lugar de tranqüilidade e rezas não se adequaria ao seu gênio irrequieto e criativo. Prefiro imagina-lo caminhando como um devoto da criação, um peregrino da imagem, um cultuador da beleza. E quem sabe se um sorriso de uma criança que brinca com um iPad não seja mais divino, umas das metáforas de Deus, do que mil rezas hipócritas e temerosas?
Essa é a minha prece, a minha homenagem a você.
Ivan Bezerra de Sant Anna
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Elas são vermelhas, algumas verdes, mas nunca, pretas. Elas jamais vestem o preto da dor, o luto de cor ausente, a negritude da noite alta. Jamais deixariam de ser a cor da vida, mesmo morrendo ilustres protegidos como John Lenon, George Harrison e, presentemente, Steve Jobs. Eram maçãs diferentes; uma verde, com gosto e cheiro de música; outra de vermelha cor, mordida timidamente em um dos lados, evocando o prazer da primeira mordida. Virgens ou levemente tocadas; vermelhas ou verdes; nomes soados por línguas diferentes, pouco importam: elas representam o desafio permanente do ser humano em busca da beleza, dos diálogos das cores, das notas harmonizadas, das transgressões criativas, dos concertos das palavras.
De certa forma, a maçã levemente mordida e Steve Jobs se confundiam, não se sabendo precisamente onde começava um ou terminava a outra. Uma marca, um talento que , queiram ou não os seus detratores, pontuaram pela singularidade e inovação, e não foram poucos que tentaram imita-los. Podia-se dizer, com alguma razão, que Jobs e a maçã eram cultuadores do "sonho americano", do individualismo possessivo, da monopolização tecnológica. Mas havia limites! Àqueles que os críticos denominavam de "falhas", ausências, e tendência à monopolização, também poderiam ser interpretados como limitações autoimpostas em busca da originalidade criativa, assim como um poeta enfrentando as regras limitadoras, procura a palavra certa, o ritmo adequado e a musicalidade conformadora. Steve Jobs tocava um piano limitado por oitenta e oito notas, no entanto, sua música ressoava em notas infinitas, para o desgosto dos inovadores apressados e com talentos duvidosos. Apesar do seu intenso ritmo criativo, em certos momentos era pacientemente devagar quando burilava a imagem virtual dos vários macs, como um artesão iraniano pintando uma bela iluminária com um pincel de pelo de gato persa, em um pergaminho de couro de ovelha. Talvez por isso os neerds, os fabricadores de vírus, não lhe incomodassem tanto, apesar de seus sonhos grandiloqüentes e outros tantos pecados.
Em vida, poderia se defender das inúmeras acusações dos seus detratores, usando a bela frase poética de Hopkins: "O que eu faço sou eu; foi por isso que vim". No entanto, sua resposta era a imagem qualitativa oriunda das suas criações tecnológicas, como se instintivamente acreditasse que o conceito, mesmo socorrido pelas metáforas, precisa da imagem para se fazer entender. Se por isso ele veio, por razão nenhuma se foi, mansamente, em paz. A doença, as dores, foram as pedras no caminho; e pedras são apenas pedras...
Fico imaginando Steve Jobs ante o limite maior, encarando a enigmática finitude. Me compraz imaginar que ele nesse momento via o mar, as ondas nascendo, crescendo e formando arrebentação espumosa. Ondas que colidem derrubando esculturas na areia dos falsos iconoclastas, mas que constroem belas esculturas nas rochas, fendas por onde assobia o vento, produzindo um som de uma flauta magica que, entre um som e outro, quer apenas dizer: "Calma, homem. Elas vão e voltam. Afinal, tudo é oceano".
Não sou um homem religioso, portanto, não lhe vejo adentrando o Portal do Paraíso eterno, mesmo porque esse lugar de tranqüilidade e rezas não se adequaria ao seu gênio irrequieto e criativo. Prefiro imagina-lo caminhando como um devoto da criação, um peregrino da imagem, um cultuador da beleza. E quem sabe se um sorriso de uma criança que brinca com um iPad não seja mais divino, umas das metáforas de Deus, do que mil rezas hipócritas e temerosas?
Essa é a minha prece, a minha homenagem a você.
Ivan Bezerra de Sant Anna
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