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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Uma reflexão sobre as manifestações públicas nas ruas

A Esquerda deve fazer uma frente antifascista?

"Dramatizam-se as diferenças para esconder as semelhanças."
Boaventura Santos
"Para fabricar armas é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos é imperioso sustentar fantasmas".
Mia Couto


Segundo alguns Partidos, a resposta é afirmativa, porque, segundo eles, existe um perigo real da extrema direita assumir o Poder. Então, segundo esse raciocínio, deve-se fazer uma Frente de Centro-Esquerda, seguindo uma pauta de reformas possíveis e palatáveis para essa Aliança. Acrescentam, ainda, que as atuais revoltas populares, apesar de serem autenticas, carecem de objetivos claros e definidos, devido o caráter anárquico e plural dessas manifestações.

Reconheço que essa análise tem uma razoabilidade sedutora, pois em tempos confusos onde viceja o desprestigio político e um grau razoável de ingovernabilidade, as aves de rapinas fascistas voltam a piar com seus voos rasantes. É uma preocupação responsável e verdadeira, no entanto, torna-se necessário uma análise dialética mais aprofundada, utilizando seus elementos de sincronia e diacronia, para não reproduzirmos mais uma vez a velha dialética da conciliação das elites. O velho maniqueísmo atuante, com os Partidos de esquerda como meros coadjuvantes das falsas oposições que objetivavam uma disfarçada, mas eficiente manutenção dos velhos privilégios das elites.

Não consigo perceber nessas manifestações a existência de grupos ideológicos fortemente combativos, em franco processo de lutas destrutivas, capazes de provocar uma aguda desestabilização sistêmica, ao ponto de criarem um vazio político, um caos desagregador que levasse e possibilitasse aventuras golpistas, como foi o caso da Espanha republicana ou da Alemanha pré-nazista. Se alguém aventar o golpe militar de 1964, como exemplo, devo lembrar que havia outras conjunturas políticas, como a guerra fria, o crescimento dos ideais comunistas-libertários, o que levou ao Estado norte-americano investir pesadamente no golpe. Ouso dizer que não foi por ausência de uma frente de centro-esquerda que o golpe militar foi vitorioso, mas pela fraqueza de um governo que confundia popular com populismo e associava Democracia com permissividade e fraqueza.

As atuais manifestações populares em todo o mundo possuem características contraditórias, difusas e expressam inconformismos plurais referentes à crise do neoliberalismo econômico, ao tentar voltar ao passado, eis que a linha do tempo histórico se revelou implacável no desnudamento do trágico embuste. Não deve causar estranhamento ou surpresa, o fato que a população rejeite os Partidos políticos enganadores, mais de perto os que diziam ser da esquerda transformadora que avalizaram o neoliberalismo, formando Frentes de "centro-esquerda" almejando a partilha do Poder. O que restou das propostas populares foi apenas poucas migalhas populistas. Portanto, no meu ponto de vista, essas manifestações populares "sem lenço e documento", plurais e revolucionarias, sem guias e sem modelos, é algo novo que não se encaixa nas análises dogmáticas dos dialéticos pragmáticos e nos modelos históricos do passado.

Possivelmente, alguns desses teóricos que defendem uma Frente política visando manter Dilma e seu grupo político, possuam algumas motivações infra racionais não-confessáveis, enquanto outros são embebidos da mais pura boa-fé ingênua. Esse grupo político que está no governo, formado por naipes variados de interesses, é fruto de um compromisso histórico que vise alicerçar algumas conquistas populares e uma ampliação democrática possível, através de um acordo temporário político? Se for afirmativa essa indagação, então, torna-se necessária a Frente política, mesmo que isso seja para alguns Partidos, um freio temporário nas suas ambições políticas.

Um compromisso político estabelecido com Sarney, Jader Barbalho, Collor de Mello, Maluf, Renan Calheiros é um acordo que visa avanços populares e democráticos ou uma negociação precária de governabilidade, fechando os olhos para a corrupção e o patrimonialismo populista? Dependendo da resposta, a Frente justifica-se ou não, lembrando a frase sempre atual de H. Arendt que, "banalizar o mal é pior do que o próprio mal", tendo em vista que no caso dessa Aliança governamental, pelos fatos amplamente divulgados, parece não se tratar de uma simples banalização, mas de um alto teor de cumplicidade.

Senhores teóricos da conciliação dialética, ponham-se no lugar dos pequenos Partidos de esquerda que se mantiveram afastados do Poder, pagando o preço do isolamento e convivendo com um raquitismo político, decorrente das suas intransigências ideológicas. Não perder a referência da luz tênue do farol ideológico, frente a um mar bravio, não é o único trunfo político que resta a eles na conquista da influência política, junto à população descontente? A não ser que haja uma grande possibilidade de um enorme retrocesso político, nada justificaria um freio nas reivindicações radicais-transformadoras desses Partidos. Existe mesmo o perigo de golpe fascista ou é a antiga dialética da implementação dos pares dicotômico amigo-inimigo, com a construção de oposições alarmantes que objetivam a formação de acordos espúrios? Não foi isso que um certo Partido de Esquerda fez no final da Ditadura Vargas, transformando o caudilho ditador em um progressista estadista? Sarney não foi transformado em um legitimo Presidente Democrático, chefe supremo da Nova República, através dessa dialética pragmática e espúria? O que restou dessas Frentes de mudanças? Um avanço das mudanças populares ou uma Constituição feita por um Congresso eleito pela ditadura militar, cheia de incongruências, de acordos díspares, de normas programáticas que permitem um Judiciário usurpador agir em defesa dos velhos privilégios? Uma Constituição Democrática ou uma farsa negociada com o aval da esquerda, onde nas inúmeras contradições existentes já se encontra a potencial síntese germinal da destruição da Democracia? O Brasil mudou ou mudou para que nada mudasse?

Todo processo de mudança tem seus riscos, pois, gradativamente, os ganhadores do passado perdem seus privilégios em prol do desenvolvimento social. E ninguém cede alguma coisa, a não ser que esteja em eminência de perder todas as coisas e como as elites dizem: "vão os anéis e ficam os dedos", apesar de em muitos países que aconteceram mudanças verdadeiras, os dedos foram atrofiados, restando alguns anéis honrosos. No Brasil, das mudanças da falsa dialética prostituta, os dedos continuam cada vez mais ágeis, os anéis se acumulam e para acalmar a população descontente, anéis de fantasia são ofertados por caridade, com aval de alguns Partidos avermelhados, que dizem: "melhor isso do que nada. Melhor bosta de pombo no olho, que bicada de gavião".

Enfim, deve ser criada uma Frente de centro-esquerda? Mesmo hesitante, devido às minhas perenes dúvidas e querendo ser convencido do contrário, acho que não. Creio que o momento é de inserção nos movimentos de massa, com cautela e sem arrogância dogmática dos "salvadores da Pátria". Buscar negociar uma pauta mínima com os Partidos e entidades de classe, visando à luta contra a corrupção, o estabelecimento de um novo marco refundador político e de cidadania, com a conclamação de uma verdadeira Assembléia Nacional Constituinte para a construção de uma Constituição popular e Democrática impeça as elites derrotadas no Parlamento busdarem socorro em um Judiciário usurpador. Evidentemente, os perigos são enormes, pois as elites políticas brasileiras não estão acostumadas com reveses políticos dos seus privilégios. Uma aguda crise de governabilidade pode acontecer, mas isso não autoriza que façamos um acordo apressado e derrotista. O tigre pode ser solto, no entanto, não vamos tentar monta-lo, nem fugir apavorados. Vamos olhar nos seus olhos e se necessário, efetuar um retorno dialético ao tempo das mandíbulas que estraçalhavam e rasgavam as nossas carnes. É necessário reescrever o passado, trazendo-o para o presente em busca de um futuro inovador.

Infelizmente, alguns companheiros que sentiram a mandíbula dilacerante do tigre, fogem assustados ao ouvirem um simples miado de um gato caseiro. "Felino é felino", dizem, para depois, sentenciarem: "gato escaldado foge de água fria". Nada mais falso! Eles confundem o efeito com a causa. O terrível felino não passa de um tigre velho, comedor de pessoas, treinado pelos donos do circo para punir e assustar os desviantes, pois não passa de um escravo com status de gladiador. Olhar nos olhos do velho tigre, mesmo com o risco das suas mandíbulas trituradoras, é o desafio subversivo da liberdade, os momentos de empatia construída pela coragem e o sacrifício, um ato de fé transcendente no Coliseu das ruas contemporâneas, o desmascaramento dos donos do Circo. Como poderemos fazer acordos com eles?

Ivan Bezerra de Sant Anna



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terça-feira, 23 de julho de 2013

O diálogo

O diálogo


Nas suas andanças pelo continente africano, Lula, em umas das suas palestras fictícias sobre o desenvolvimento sustentado, o mais bem sucedido lobista das construtoras, depara-se com um aguerrido grupo de ONGs.

Indignado, um dos líderes das ONGs acusa Lula de ter promovido a maior e mais crescente devastação na floresta amazônica. "O senhor ao retirar a Marina da Silva e colocar Afif Domingos, permitiu com seu plano de uma Amazônia sustentável, a mais crescente devastação da história do Brasil", acusou com voz vibrante, a liderança.

"Meu fio, você tâ louco, é? Que injustiça! Mata prá nois é ouro! Você quer que a Amazônia fique só com índios bebendo cachaça, sem produzir nada? Precisamos exportar carnes e soja para pegar a "verdinha", seu jumento. E mais: estamos reflorestando muitas áreas no Brasil, como é o caso do Município de Japaratuba em Sergipe", exclamou o colérico e avermelhado, Lula.

"Pelo que sei, Sr. Lula, jumento é quem nuca foi para escola e se os índios bebem aguardente, possivelmente, devem ter aprendido com o senhor. O seu famoso plano sustentável para a Amazônia não passou de um engodo, visando dar espaço expansionistas às atividades pecuaristas do seu filho que, segundo muitas pessoas, seu testa-de-ferro.", falou com veemência, o líder ecológico, acrescentando: "Esse famoso reflorestamento em Japaratuba não passa de meia dúzia de plantinhas na beira de um córrego."

"Você é um fuleiro e um direitista militante", disse, Lula, espumando uma saliva ruminante e com toda sapiência de um Doutor Honoris Causus da UFS, acrescentou: "Não são plantinhas, idiota. É uma horta florestal, composta de árvores como Capim-santo, Cidreira, Pau d'arco que vão servir para a indústria de licor forte, o elixir dos trabalhadores revolucionário. Dessa forma, mato dez coelhos em uma copada só".



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segunda-feira, 15 de julho de 2013


O Odisseu e suas sereias

Quisera Deus que o judiciário fosse tão eficiente no combate à corrupção, como foi na condenação do jornalista Cristian Góes. O Ministério Público acusou e o Judiciário sentenciou em tempo recorde. Isso é novidade! Que eficiência!

Uma promotora e uma juíza foram as protagonistas desse feito. Duas mulheres, uma sentença, esse é o nome da prosopopeia. O mais interessante é que foram curiosamente rápidas e dinâmicas na leitura do texto coronelesco, conseguindo ver em um simplório jagunço, um Desembargador ajagunçado. Isso não é típico das mulheres, pois elas são mais meticulosas, ponderadas e muito cuidadosas, conclusão que possuo, por ter trabalhado com duas juízas muito sérias e eficientes.

Ah, o grande Homero! O Odisseu e suas sereias! A ilha de Capri não é mais a mesma, nem Ulisses e as sereias. Possivelmente, se um desavisado navegante por lá passar, terá uma surpresa em descobrir que as sereias não mais cantam e encantam, mas são cantadas. Sinal dos tempos pós-modernos, do reino do Capital.

Em minha Pátria, essa naçãozinha muita sapeca, de safadeza varonil, terra em que se plantando tudo dá, viceja o ativismo judiciário, dos sábios juízes, os novos reis legisladores. Claro que tudo muito disfarçado, sob o manto da Justiça independente e imparcial. Independentes são até demais, principalmente das leis elaboradas pelo Parlamento, que apenas servem para serem manipuladas, objetivando acobertar sentenças pragmáticas e interessadas. No entanto, com todos neos "disso e daquilo", o velho mercado persa se impõe, mesmo que emoldurado por nomes, como, por exemplo, neoconstitucionalismo.

E a nossa Imprensa, que diz de tudo isso? Por que insiste em manter esse ridículo temor reverencial a um Poder sem armas e votos, que se esforça usurpar sorrateiramente o Poder popular? O Poder Legislativo, por ser plural e representativo, é a caixa de ressonância da sociedade, o que levou a Câmara dos Lords inglesa denomina-lo como o Poder maior, o Supremo Poder Eleito. No entanto, os nossos jornalistas tecem ácidas críticas à Casa do Povo, o que é muito salutar em uma Democracia, confundindo, por vezes, congressistas com a instituição congressual. O que se espera é o mesmo denodo seja usado em relação ao Judiciário que, infelizmente, protege os corruptos e condena quem denuncia.

Um simples conto sem maiores pretensões foi visto por olhos atemorizados e vaidosos, como injurioso à honra de um Desembargador que, ao assumir o cargo, despiu-se da sua honra privada, assumindo a honra pública. E essa honra pública pertence ao povo que pode esmiuçá-la como quiser, restando ao homem público sua práxis e sua dignidade como defesa. Essas são as regras da verdadeira Democracia e assume cargo público quem tem mérito e coragem para fazê-lo. Como diz o povo: "quem coloca a rodilha, aguenta o pote".

Será que não é subestimar o povo, que sempre repete: "a quem serviu a carapuça, que a vista". A reação estampada foi descuidada, vaidosa e antidemocrática e por essa razão, a carapuça assentou em sua cabeça. Erradamente, creio, pois se lhe conheço bem, esse barrete não lhe cabe.

Quanto aos senhores jornalistas, um lembrete oportuno e necessário. Exerçam suas funções com arrojo, coragem e dignidade, com o mesmo denodo que em outras épocas enfrentaram as baionetas da ditadura militar. E se os tanques, as prisões não lhes causaram medo, como temer meia dúzia de servidores públicos arrogantes, munidos apenas com canetas?

No entanto, muito cuidado! Na Odisséia e nas Ilíadas, o astuto guerreiro grego é o mesmo. Ele usa a espada e fabrica um cavalo de madeira. E nem sempre as muralhas democráticas resistem ao engano.

Ivan Bezerra de Sant Anna


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ISSO É UM ABSURDO!!!

"Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.
Na segunda noite, Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada."

Vladimir Maiakóvski

Um juiz sergipano proíbe que um livro sobre o bandido Lampião fosse divulgado, desconhecendo ou fingindo desconhecer que em uma Democracia, pessoas históricas e públicas como Lampião devem ser analisadas por diversos prismas, pois as ciências compreensivas são essencialmente polêmicas e controvertidas.

NÃO DISSEMOS NADA!

Juiz Federal sergipano rasga a Carta Constitucional, intrometendo-se nos assuntos didáticos de um conselho de professores da UFS e "aprova" um candidato reprovado pela Junta de docentes, porque essa pessoa era uma juíza estadual.

NÃO DISSEMOS NADA E A JUNTA NÃO APELOU!

Agora, um juiz para defender um Desembargador que se achou ofendido com uma ficção escrita em jornal, condena o jornalista. Engraçado, como o escrito era ficcional, por que esse Desembargador - o mesmo que deu uma liminar para João Carlos Paes Mendonça - ficou ofendido? Como diz o povo, "colocou a carapuça e confessou".

VAMOS FICAR CALADOS?

O Judiciário está destruindo a Democracia, exercendo censuras em todos os níveis, protegendo os poderosos e legislando abertamente. Alertava Rui Barbosa que a pior ditadura é do Judiciário. Entendo que a preocupação desse ilustre homem público tinha uma forte razão: o Judiciário é um Poder sem armas e votos, composto por burocratas elitistas que, sem nenhum controle, pode exercer uma ditadura insidiosa, escondida pelo manto das sombras da noite, disfarçada, difusa e eficiente. Em uma ditadura declarada sabemos com quem lutar, mas em uma ditadura acoitada pela penumbra, disfarçada em um mercado persa de opiniões, não vemos claramente os inimigos. A escuridão que tudo camufla, serve para Drácula e para os juízes usurpadores.

VAMOS DEIXAR ISSO ACONTECER?

Ivan Bezerra de Sant Anna


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quinta-feira, 11 de julho de 2013


Quero somente entender....

Não foi Lula quem processou a maior terceirização da história da Petrobrás, enchendo-a de empresas privadas? Não foi a Dilma quem ordenou o edital de licitação para exploração do petróleo por empresas multinacionais?

Não foi o Lula quem ordenou "empréstimos" volumosos do BNDES para as grandes empresas de amigos e para o seu próprio filho?

Não foi o Lula quem retirou os recursos financeiros da escola pública, repassando-os para as empresas privadas de educação, através do PROUNE?

Sarney, Collor, Renan, Jader Barbalho, Maluf, não são aliados de Lula e Dilma?

Alguém tem alguma dúvida que Lula montou e comandou a quadrilha da mensalão?

Se as indagações acima efetuadas são afirmativas, com que propósito, Dilma e lula, fabricaram essa greve geral? Arrependimento tardio ou muito cinismo?

Não nego que as reivindicações dos sindicalistas na manifestação do dia 11 são de muita importância para o avanço social, no entanto, houve um esquecimento trágico: a luta contra a corrupção e a reforma do Judiciário. Sem uma remodelação na Constituição, efetuada por uma assembléia constituinte, nada vai mudar!

Por que a bandeira contra a corrupção não foi hasteada na manifestação? Um assunto muito sensível e polemico ou iria incomodar ao Lula, Sarney, Maluf e outros? Era pedir demais a essas Centrais Sindicais que têm em Lula, um símbolo maior. Seria uma situação um tanto esquizofrênica, reconheço, uma pessoa ser e não ser uma coisa ao mesmo tempo. "Ser ou não ser, eis a questão", um clássico dilema baseado em uma coerência lógica e que nem a dialética ébria e distorcida do Lula é capaz de violar.

Pelas informações que recebemos, a manifestação teve uma medíocre adesão popular. Não era para menos. Dez anos de omissão e desmobilização sindical, devido ao atrelamento das Centrais ao Governo, não se recupera em um dia. O viço, a força, a combatividade do movimento sindical se perdeu nas brumas do passado, na época em que Lula mostrava os dentes aos patrões. Durante os anos do governo Lula, a imobilidade e a manutenção do poder foi a tônica dominante, com os dirigentes dessas entidades evitando filiar para não terem surpresas eleitorais. Para que filiar se existe a contribuição obrigatória? Na Itália, França, Inglaterra e os demais países europeus, os sindicatos plurais têm que filiar para terem recursos financeiros. No Brasil, vige ainda o modelo corporativo da Carta di Lavouro de Benito Mussulini, copiada por Lindolfo Collor.

Se essa manifestação tinha como objetivo por freios nas atividades conspirativas da Direita troglodita, os resultados mostraram mais fragilidades que virtudes. Não seria melhor que as Centrais e outras entidades se inserissem em manifestações mais amplas, almejando propagar as bandeiras de luta das categorias, deixando de lado esses paradigmas ultrapassados de "grande condutor das massas"? A hegemonia se conquista por uma nova praxis educativa e persuasiva e não com pretensões petulantes dos sacerdotes rubros, pois isso homenageia Platão, humilhando o marxismo e a dialética.

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Enquanto os sonegadores encontram guarida nas Varas da Fazenda Pública, uma juíza praticando o ativismo judicial, transvestindo-se em legisladora, expede uma liminar minimamente polêmica, sem atender a reivindicação do movimento. Um meio termo! E como ela chegou a esse valor arbitrado? Terá ela esse poder avaliatório? Não será a Câmara de Vereadores quem deve avaliar e decidir?

Não me parece salutar para a Democracia que uma juíza invada os espaços privativo do Poder eleito, subrogando-se em Vereadora Master dos Vereadores. Não se pode juriscidializar os espaços políticos, pois, dessa maneira, abre-se um largo caminho para usurpação. A nossa luta é política e não precisamos de uma tutela inconstitucional, baseada em critérios subjetivos e com uma certa dose de populismo, pois não existem em nossas normas legais, diretos específicos que embassem tal decisão liminar.

O resultado desse ativismo usurpador é a desmobilização das lutas populares, colocando a população na categoria de "relativamente incapaz", que de ser protegida e tutelada por um papai forte e prestimoso. E como em toda boa família tradicional, os filhos devem obediência aos pais, inclusive os filhotes eleitos pelo povo. Para que existe o Poder legislativo se não for independente? É melhor fecha-lo e entregar suas funções a um sábio juiz! E mais um detalhe: o Prefeito e Vereadores não atendem ao pedido do povo mobilizado e encontra uma decisão judicial de "meio termo" para proteger um razoável aumento para as empresas.

Os Juízes estão querendo sair da imobilidade e aplicar a lei? Ótima notícia! Vamos esperar que o Ministério Público reanimado com a manutenção dos seu poder investigatório, faça uma cuidadoso exame na oferta diária dos ônibus colocados diariamente pelas empresas, efetue um simples operação aritmética e veja se as empresas de transporte estão cumprindo os contratos administrativos. Ah, de quebra, observe se esses poucos ônibus estão em condições dignas para transportar cidadãos. Depois disse, o digno MP deve entrar com uma ação judicial, pois vai encontrar juízes ávidos para expedirem uma sentença de caráter mandamental, uma ordem para que as empresas de transporte cumpram efetivamente os contratos administrativos, pois base legal não falta.



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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Isso é um absurdo!!!

ISSO É UM ABSURDO!!!

"Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.
Na segunda noite, Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada."

Vladimir Maiakóvski

Um juiz sergipano proíbe que um livro sobre o bandido Lampião fosse divulgado, desconhecendo ou fingindo desconhecer que em uma Democracia, pessoas históricas e públicas como Lampião devem ser analisadas por diversos prismas, pois as ciências compreensivas são essencialmente polêmicas e controvertidas.

NÓS NÃO DISSEMOS NADA!

Juiz Federal sergipano rasga a Carta Constitucional, intrometendo-se nos assuntos didáticos de um conselho de professores da UFS e "aprova" um candidato reprovado pela Junta de docentes, porque essa pessoa era uma juíza estadual.

NÓS NÃO DISSEMOS NADA E A JUNTA NÃO APELOU!

Agora, um juiz para defender um Desembargador que se achou ofendido com uma ficção escrita em jornal, condena o jornalista. Engraçado, como o escrito era ficcional, por que esse Desembargador - o mesmo que deu uma liminar para João Carlos Paes Mendonça - ficou ofendido? Como diz o povo, "colocou a carapuça e confessou".

VAMOS FICAR CALADOS?

O Judiciário está destruindo a Democracia, exercendo censuras em todos os níveis, protegendo os poderosos e legislando abertamente. Alertava Rui Barbosa que a pior ditadura é do Judiciário. Entendo que a preocupação desse ilustre homem público tinha uma forte razão: o Judiciário é um Poder sem armas e votos, composto por burocratas elitistas que, sem nenhum controle, pode exercer uma ditadura insidiosa, escondida pelo manto das sombras da noite, disfarçada, difusa e eficiente. Em uma ditadura declarada sabemos com quem lutar, mas em uma ditadura acoitada pela penumbra, disfarçada em um mercado persa de opiniões, não vemos claramente os inimigos. A escuridão que tudo camufla, serve para Drácula e para os juízes usurpadores.

VAMOS DEIXAR ISSO ACONTECER?



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domingo, 7 de julho de 2013

Escritos do Face

Escritos do Facebook

Devo dizer de antemão que sou contra o plebiscito porque a Presidente proponente não possui nenhuma legitimidade para fazê-lo.

Alguns intelectuais adoram frases curtas que visam impactar. Muitas vezes, algumas pessoas usam esse tipo de frase por deficiência intelectual ou para evitar dar maiores explicações para o raciocínio proposto. Quais as verdadeiras intenções desses intelectuais?

O plebiscito, esse proposto pela Sra. Dilma ou os que foram efetuados por Hugo Chavés, é um instrumento de consulta popular sobre um projeto concreto, determinado e definido. A população aprova ou rejeita a proposta, não se caracterizando "cheque em branco" a ser preenchido pelo proponente. Penso que estão confundindo Delegação Popular de Poder Reformista com plebiscito. Intencional ou foi um deslize teórico?

Por que não se defende uma Assembléia Nacional Constituinte para elaborar uma nova Constituição, uma vez que a atual encontra-se sem nenhuma credibilidade e é usada pelos juízes para usurpar os poderes legislativos?

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A pior Direita não é aquela visível, frontal, latindo ferozmente, mas aquela oblíqua, disfarçada, com voz mansa, companheira, composta por pessoas que carregam siglas solidárias, mas são egocêntricos, individualistas extremados, pais populistas do povo.

Essa Direita cínica, avermelhada, desmoraliza os verdadeiros socialistas, semeando a desesperança, o niilismo, planeando os caminhos por onde passarão os tanques e os batalhões fascistas.

A arma mais poderosa da Direita não é sua violência, suas promessas mentirosas, mas o seu discurso persuasivo motivado por nossos imensos erros.

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O plebiscito é a forma mais grandiosa de emanação do Poder popular. É o povo legislando diretamente, sem nenhuma intermediação de representantes. No entanto, deve ser usado para momentos críticos, quando existem dúvidas da representatividade do Congresso ou para decisão de um assunto polêmico que divide a sociedade. Na atualidade, devido à crise moral e política que assola a Nação, esse instituto poderia ser usado, mas a falta de legitimidade da presidente não permite o seu uso. Quem iria elaborar a proposta de reformas? A presidente não me parece possuir nenhuma condição moral e independência para propor coisa alguma.

Entretanto, os conservadores e corruptos dos Partidos de oposição não querem o plebiscito por outras razões. Eles querem reformas daquelas "mudar para que nada mude" e para isso esse atual Congresso de Deputados, sem legitimidade, é o local ideal para encenar essa farsa. Eles têm medo do povo! Eles querem "reformas" de maneira segura e existem alguns conservadores que falam em "cheque em branco", pois o que eles gostam mesmo é de um cheque, preenchido e visado.

O ideal é a convocação de uma Assembléia Constituinte para elaborar uma nova Constituição que corrija os erros da atual que foi elaborada por um Congresso eleito sob o jugo dos militares e com Senadores biônicos. No entanto, isso apavora os nossos juristas conservadores que preferem não correrem riscos desnecessários. Quem não quer uma Constituinte não confia no povo, não passa de um populista demagogo.

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Isso é uma farsa!!!

Infelizmente, constato o grau de desespero que esses Partidos ligados ao Lula estão sendo acometidos. Estão tentando usurpar o movimento difuso de revolta popular, desviando o enfoque para as questões trabalhistas e reformas políticas que visam tão somente a manutenção do Poder, como é o caso do voto puramente distrital proposto pela Presidente.

Esses Partidos, na insanidade de manter o Poder a qualquer custo, aprofundam a crise, aumentam o descrédito popular, aceleram a ingovernabilidade e criam um caos propício aos golpes de Estado.

Devo repetir:

"A pior Direita não é aquela visível, frontal, latindo ferozmente, mas aquela oblíqua, disfarçada, com voz mansa, companheira, composta por pessoas que carregam siglas solidárias, mas são egocêntricos, individualistas extremados, pais populistas do povo.

Essa Direita cínica, avermelhada, desmoraliza os verdadeiros socialistas, semeando a desesperança, o niilismo, planeando os caminhos por onde passarão os tanques e os batalhões fascistas.

A arma mais poderosa da Direita não é sua violência, suas promessas mentirosas, mas o seu discurso persuasivo motivado por nossos imensos erros."

Pois é essa Direita cínica, encobertada por siglas socialistas, oportunistas demagogos, aliados de José Sarney, que têm o desplante de tentar organizar movimentos de massa objetivando dividir, confundir e tudo com um só propósito: salvar a pele do maior corrupto da Nação, em todos os tempos, o Sr. Lula.

Vamos boicotar esse movimento comandado sorrateiramente por Lula, Zé Dirceu e sua corja de ladrões!

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Lula e seus seguidores são de Esquerda?

Para a Direta fascista, a resposta é afirmativa, pois aproveita-se do descrédito de um grupo farsante e corrupto, que se esconde sob mantos vermelhos, para vomitar sua arrogância anticomunista a serviço do Sr. Obama.

No entanto, se olharmos bem, Lula não é tão bonzinho com a Venezuela, Cuba, como parece! Falando em solidariedade entre países, o Sr. Lula arranja empréstimos financeiros do Brasil para esses países e em troca, exige que esses recursos financeiros sejam aplicados em obras executadas pelo cartel de construtoras, comandas pela Odebrecht. Por exemplo: os recursos financeiros para modernizar os aeroportos cubanos deverão ser usados para contratar a Odebrecht e a Gol Transporte Aéreo deve receber um tratamento especial do governo cubano. Resumindo: o povo cubano fica devendo ao Brasil; as empresas do Cartel enchem-se de dinheiro e repassam uma gorda comissão para o agenciador Lula. E mais: aproveitando-se da penúria do Estado cubano, sua marionete Dilma contrata médicos cubanos à preço de banana, transferindo o processo exploratório dos médicos brasileiros para seus colegas cubanos. Existe alguém de Direita mais sabido?

Uma nova Direita avermelhada que gerencia o neoliberalismo com uma qualidade que faz roer de inveja a Direita tradicional? Em verdade, não tão nova. É o velho populismo, mesclado com tinturas róseas. Ou melhor: uma nova versão da Ala Bossa Nova udenista, grupo que se dizia de Esquerda, tendo como um dos grandes expoentes, o Sr. José Sarney. Nada é novo! Carlos Lacerda pertenceu aos quadros do PCB, Mussulini foi do Partido Socialista Italiano e Hitler fundou o Partido do Nacional Socialismo. Como estranhar que um semi-analfabeto, incapaz de ler o Manifesto Comunista, seja o maior gerente do capitalismo?

Somente uma Direita esclerosada ou de grupos paroquiais vê em Lula um inimigo. Já a Direita Americana, hoje capitaneada pelo Sr. Obama, percebeu na época que Lula chamou Busch de companheiro, ele estava sendo sincero.

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Em suntuosos palácios, as leis são reprocessadas, moderadas e inventadas. Não importa se o povo elabora as leis através dos seus representantes, pois elas são simplesmente meros referenciais para o sentimento de justiça dos magistrados. Essa é a Casa dos livres pensadores, pessoas acima das pessoas comuns, abençoados pelo bafo divino e ungidas por um concurso público mágico. A lei não deve ser igual para todos, pois é preciso desigualar para igualar. Para eles, a justiça é distribuída segundo a importância e merecimento dos destinatários. Por exemplo: quase todos os magistrados concordam que, segundo o Código do Consumidor, nenhum estacionamento em estabelecimento comercial é gratuito, pois o consumidor ao comprar um serviço ou produto já pagou indiretamente o estacionamento. Mas quando esse entendimento colide com os lucros do Sr. João Carlos Pães Mendonça, então acontece a mágica: para os Shoppings e a UNIT, os consumidores não pagam indiretamente o estacionamento! Entende-se, nesse caso, que não houve compra e venda, o consumidor não compra um produto, apenas efetua uma doação recíproca: o consumidor doa dinheiro e recebe em troca um produto doado. Não é piada, pois é a única maneira de explicar essa confusão.

A mesma coisa acontece com a lei penal que coíbe a corrupção. A lei existe tipificando os casos, mas dependendo dos destinatários, sua aplicação sofre contorções interpretativas, alongamentos musculares, amnésias temporárias ou definitivas. Ações penais referentes a sonegação fiscal e crime de corrupção existem muitas nos juizados, no entanto, dormem em berços esplendidos, até se consumar a prescrição ou em alguns casos, serem extintas por insuficiência probatória.

E o corruptos ficam sem punição? Alto lá! Eles não são corruptos, pois uma lei sem sanção é um mero aconselhamento, uma simples norma moral. E se o descumprimento traz uma excelente relação custo/benefício quem é burro cumpri-la? Por isso é que discordo quando chamam Lula de jumento.

Assim caminha a humanidade brasileira com sua lei férrea: os corruptos de mãos dadas, com a toga, destroem a Democracia e os culpados são os cegos.

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POR UMA ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUINTE JÁ!!!

Os movimentos de massa estão divididos e vão ser enganados. O plebiscito proposto por Dilma é uma farsa, pois para o grupo governamental, mudança somente para mantê-los no Poder. E uma reforma congressual com referendo? Uma farsa muito pior. Os congressistas atuais vão efetuar mudanças que coloquem em perigo os seus interesses? Alguém atira no próprio pé?

Fala-se que Dilma usou a proposta do plebiscito para desviar o povo das suas reais intenções. O que ela deseja é uma "reforma" política congressual, direcionada aos interesses do grupo político comandado por Lula, um processo longo que se arraste para depois da Copa do Mundo. Se a reforma votada no Congresso for ou não referendada pelo povo, pouco importa. Se ela for reeleita, estará fortalecida para fazer o que quiser. Engenhoso, não?

A única proposta séria de mudanças é a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte para elaborar uma nova Constituição, mantendo algumas conquistas da atual e ampliando o processo democrático, com o incremento de novos direitos, uma nova estrutura política e mudanças no Poder Judiciário para que se cumpra as leis.

Claro que os corruptos, os marajás do Judiciário tremem de medo quando se fala em Assembléia Constituinte, porque eles temem o povo e querem que as "mudanças" não saiam das suas mãos. Falam que a Constituição atual é ótima, que não se deve dar "cheque em branco" para a população e que a "reforma" congressual é a mais democrática.

Essas elites ladinas só confiam em cheque preenchido e visado. Vocês não desconfiam que tudo que eles defendem é suspeito?

Ivan Bezerra de Sant Anna



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