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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

"A existência de valores elitista e autoritários na cultura que agem de forma inconsciente e se mantém irrefletidamente no superego e no Id, angustiam algumas pessoas em decorrência das injustiças das decisões legislativas, levando-as ao pensamento ingênuo que o Judiciário pode subrogar-se em legislador, corrigindo essas injustiças. Nessa mesma linha de raciocínio, outras pessoas preferem os tanques militares nas ruas. Ambas, entretanto, padecem da síndrome do autoritarismo disfarçado, pois uma baioneta ou uma caneta judicial, quando não autorizadas pela população através de um procedimento legitimado, seja por um movimento fatual-revolucionário ou por um procedimento democrático, são os lados da mesma moeda. Assim, parafraseando Carl Von Clausewitz, a caneta é a baioneta por outros meios."


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Censura

"A existência de valores elitista e autoritários na cultura que agem de forma inconsciente e se mantém irrefletidamente no superego e no Id, angustiam algumas pessoas em decorrência das injustiças das decisões legislativas, levando-as ao pensamento ingênuo que o Judiciário pode subrogar-se no legislador, corrigindo essas injustiças. Nessa mesma linha de raciocínio, outras pessoas preferem os tanques militares nas ruas. Ambas, entretanto, padecem da síndrome do autoritarismo disfarçado, pois uma baioneta ou uma caneta, quando não autorizadas pela população através de um procedimento legitimado, seja por um movimento fatual-revolucionário ou por um procedimento democrático, são os lados da mesma moeda. Assim, parafraseando Carl Von Clausewitz, a caneta é a baioneta por outros meios."

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Os cubanos




Eles chegaram e daí?

É necessário uma reflexão mais profunda sobre a saúde pública no Brasil. É lamentável que poucos recursos financeiros sejam destinados à Saúde e que uma parte expressiva desses recursos sejam desviados por procedimentos corruptos. É conhecida as quadrilhas que operam nas licitações de compra de medicamentos, não somente alterando os preços, como também, em muitos casos, não entregam os medicamentos. O Ministério Público é omisso e por que não dizer cúmplice? E o Judiciário? Como finalizaram as ações contra os corruptos da máfia dos medicamentos no escândalo denunciado pela Mídia, no Governo Albano Franco? E o Sr. Rogério Carvalho? Muitos processos no TCU e nenhuma investigação rigorosa do MP em relação a já famosa prática, "compra cara sem entrega".

Os nossos médicos conhecem esse esquema corrupto e alguns até desviam medicamentos para suas Clínicas privadas. Até o presente momento, nunca vi nenhuma associação de classe dos médicos denunciando os esquemas de corrupção ou mesmo lutando contra a privatização e terceirização da Saúde pública. É vergonhoso o salário que recebe um médico público, no entanto, não se justifica que os médicos, na sua maioria, atendam mal o cidadão, muitos deles quase não vão ao trabalho.

Os nossos médicos estão com medo de quê? Que os médicos cubanos atentam à população com seriedade? Que mesmo sem quase nenhum suporte técnico-hospitalar, eles cumpram com dignidade suas missões? Afinal, quero entender esse medo, pois existem muitas vagas no interior do Brasil, mas pouquíssimos médicos se habilitam no preenchimento delas. Sabemos que a maioria dos estudantes de medicina já desejam sair das Faculdades como especialistas "disso e daquilo" e talvez por isso mesmo, não queiram cumprir o estágio obrigatório na rede pública de saúde. Muitos Países exigem esse estágio, como é o caso da Alemanha, entretanto, o Brasil como existe a melhor saúde pública do mundo, não precisa desse estágio que, para muitos médicos é inconstitucional.

Sou oposição ao PT, entretanto, acho que o desacordo político não pode ser confundido com a irresponsabilidade populista, uma oposição cínica que esconde no seu bojo muitas motivações pecaminosas. O PT sempre praticou esse tipo de oposição e quando assumiu o governo, "deu no que  deu".

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O homem que sempre mudou

O homem que sempre mudou...

Se as pessoas mudam, o exemplo vivo é o nosso ex-ministro, Carlos Britto. Lembro-me do meu professor Brito, (ele ainda não era Ayres de Britto) no limiar dos anos oitenta, quando era Procurador do Estado (sem concurso) e escrevia contra D. José Brandão, na inesquecível Gazeta de Sergipe, chamando-o de comunista, atendendo aos reclamos da sua família que era inimiga ferrenha dos trabalhadores rurais. Pouco tempo após, o professor era nomeado, sem concurso, para o Ministério Público Especial do Tribunal de Contas, fato esse que premiava a sua primeira fase política que teve início com sua saudação  ao golpe militar, chamando-a de Gloriosa Revolução.

Com o fim da Ditadura Militar, o faro dialético do nosso ex-ministro captou novos aromas e novas possibilidades. Seus olhos começaram a perceber que a cor vermelha não era tão feia e mudar era necessário. "Sou socialista", disse para si! Dias após estava candidato por um pequeno Partido político que pressentia ser transitório para seus vôos dialéticos, mas tinha a grande vantagem de lhe dar visibilidade política. E assim fez! Uma campanha política pífia, porém, nada como uma poesia de "pé quebrado” ou uma frase clichê para lhe dar umas porcentagens eleitorais necessárias para acalentar seu sonho mudancista. "De grão em grão, a galinha enche o papo" era sua frase predileta e sempre lhe deu bons frutos, pois algumas coisas devem mudar, mas não todas.  Afinal,  foi um dialético prático, um homem que sempre conciliou Confúcio com as teses do Esclarecimento, sem esquecer, é claro, dos sábios ditados populares dos oligarcas rurais.

Sua filiação ao PT foi um lance dos mais geniais, mas teve que ser conquistada com muita paciência e senso de oportunidade. Sabia que a amnésia e os interesses pragmáticos se ajudam mutuamente e que seu passado seria esquecido, mesmo porque tudo muda e por que não uma mudança à brasileira, do tipo, "mudar para que nada mude"? O resto foi fácil e muito produtivo: todas as ações  judiciais dos sindicatos da CUT nas suas mãos, irmanadas com as mãos ávidas  de um parente próximo e a conquista da OAB. Apesar dos bons negócios, dos enormes e vultosos honorários, a riqueza não é tudo!

 Verdade, a riqueza não é tudo e o nosso querido ex-ministro sentia uma angústia dilacerante, uma insatisfação, algo que lhe dizia faltar alguma coisa. Um impulso dialético do crescimento, talvez. Assim, não perdeu tempo, pois o cavalo selado estava na sua porta e não poderia perder a chance. Espalhou um boato que era candidato ao governo do Estado, forçando Marcelo Deda pedir ao seu amigo Lula, a sua indicação para uma vaga no STF. No entanto, não contava com a resistência de um setor do PT e de alguns Ministros do STF que não viam nenhum notável saber jurídico nas parcas publicações, a maior parte delas, poesias sem poética. O ex-ministro sabia que o tempo era precioso e recorreu aos antigos lideres políticos que sempre serviu com muito afinco. O senhores  Albano Franco e João Alves Filho não se fizeram de rogados, convocando muitos parlamentares, inclusive o Sr. José Sarney para essa gloriosa cruzada.

No começo foi difícil, pois os insultos dos ministros eram constantes, no entanto, nada que o tempo e alguns votos de caráter "popular" não pudessem resolver. Mais uma vez o cavalo selado estava na sua porta, ou melhor: um casamento gay! Não importou ao ministro que a Constituição definisse o casamento como uma união entre homem e mulher, pois isso era apenas um pequeno detalhe, existindo inúmeros princípios abstratos que poderia usar, e, afinal, não são os ministros que fazem a Constituição real? Sabia que estava no Brasil e não em países atrasados como a França, Itália, Inglaterra e outros.

Entretanto, não podia sair do STF, apenas glorificado com um casamento gay. Era muito pouco para sua alma inquieta e apaixonada pelo novo, muito novo, novíssimo. Teria que ser Presidente do STF e colocar o Mensalão em pauta para julgamento. Sim, esse era o grande lance, pois colocaria o processo em andamento, emitiria algumas frases de efeito e como sairia antes dos acórdãos sentenciadores, não condenaria ninguém. O que poderia dar errado? Nada deu errado, apenas sempre existiu a guerra e o eterno jogo de interesses, o que Hegel chamava de contingências, aquelas ações e fatos que medeiam o querer dos sujeitos e os resultados. E uma contingência negra, oriunda das classes subalternas,  parecendo um fantasma  que voltava das zonas ribeirinhas do São Francisco, roubou-lhe a cena! Como pode um negro, filho de pais remediados, muito parecidos com muitos outros negros que serviam nas usinas de cana do seu avô, ter a ousadia de puxar-lhe o tapete?

A realidade, entretanto, é que o Negão passou-lhe a perna! "Isso é uma das imperfeições da Democracia que precisa ser corrigida", pensou. Entretanto, o bom cabrito não berra, ou melhor: existe tempo para tudo, tanto para o balido ingênuo da ovelha, como para os dentes do lobo. A questão é  saber esperar o momento certo. E o nosso querido ex-ministro sabe que esse momento poderá chegar e estará preparado para ele, para dar o seu novo salto quântico.

Ivan Bezerra de Sant Anna


sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Maré vazante

Maré vazante


Mulher era o seu nome
Ninfa do mar bravio
Na sua boca
O hálito das manhãs praianas
Embriaguei com duas
Mas eram tantas...

Tantas cores tingidas de um vermelho róseo
Dos crepúsculos salinos
Momento silencioso das gigantes aves marítimas
E do pio das corujas dos coqueiros solenes

Lá estava você
Úmida, bela e desnuda
Deliciosamente, sem compostura
Adentrando à timidez da noite
Promessa de escuros mistérios
Incitados pelo brilho lunar

Ah, montículos sedutores e oblíquos
Duas ilhas gêmeas e solidarias
Uma escalada de prazer
Língua incansável
Com gosto de mel e sal

Colei meus lábios em sua concha ofertada
Ouvi os marulhos insinuantes da sua boca
Mergulhei enfeitiçado, deslumbrado
Em um tubo de águas infinitas
Seguindo a música dos seus vários lábios
O desejo e o sublime em dois temas fugáticos

De repente
A explosão do gozo supremo
A grande onda viola a praia
Entre espumas, areia e crustáceos
As águas marés que vazam

Amanhece e o sol ponteia
Na praia ruidosa de maresia e suores
Um menino, um sorvete precário
Lambido ao infinito
Ponho-me ao riso
Lembro seus pés.




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Mudanças

Precisa mudar? Tudo bem! Se vocês procurarem terapeutas, sejam comportamentalista, freudianos, existencialistas, junguianos, alguns vão tentar diminuir as suas dissonâncias cognitivas através de um síntese artificial e conciliadora, poucos, entretanto, vão dizer: "Vocês precisam mudar!" Ora, isso qualquer amigo inteligente pode dizer!

Toda mudança é dialética e tem início com uma negação. Será preciso vocês sentirem suas almas doentes, angustiadas pelas dissonâncias e dizer: "Chega, vou mudar". Esse momento de negatividade brota da saturação dos conflitos e ele é somente de vocês. Esse momento de decisão somente vocês podem efetuar.

O analista é apenas um facilitador, depois que tomar a decisão de mudar. Ele pode ajudar a vocês efetuarem um retorno dialético ao passado, verificando as opções que tinham, os erros cometidos e rescrever um novo passado na imaginação, trazendo-o para o Presente para projetar o futuro que traz em seu bojo, o passado rescrito.

Entretanto, o momento inicial é a solitária coragem de dizer Não. Vai doer muito, pois a negatividade dialética destrói para reconstruir. Dizia Drummont, em um sábio conselho poético, que a dor era essencial, entretanto, o sofrimento era opcional. A questão é se vocês tem coragem suficiente para sentir as dores da mudança ou continuar sofrendo com covardia.



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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Uma reflexão sobre as manifestações públicas nas ruas

A Esquerda deve fazer uma frente antifascista?

"Dramatizam-se as diferenças para esconder as semelhanças."
Boaventura Santos
"Para fabricar armas é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos é imperioso sustentar fantasmas".
Mia Couto


Segundo alguns Partidos, a resposta é afirmativa, porque, segundo eles, existe um perigo real da extrema direita assumir o Poder. Então, segundo esse raciocínio, deve-se fazer uma Frente de Centro-Esquerda, seguindo uma pauta de reformas possíveis e palatáveis para essa Aliança. Acrescentam, ainda, que as atuais revoltas populares, apesar de serem autenticas, carecem de objetivos claros e definidos, devido o caráter anárquico e plural dessas manifestações.

Reconheço que essa análise tem uma razoabilidade sedutora, pois em tempos confusos onde viceja o desprestigio político e um grau razoável de ingovernabilidade, as aves de rapinas fascistas voltam a piar com seus voos rasantes. É uma preocupação responsável e verdadeira, no entanto, torna-se necessário uma análise dialética mais aprofundada, utilizando seus elementos de sincronia e diacronia, para não reproduzirmos mais uma vez a velha dialética da conciliação das elites. O velho maniqueísmo atuante, com os Partidos de esquerda como meros coadjuvantes das falsas oposições que objetivavam uma disfarçada, mas eficiente manutenção dos velhos privilégios das elites.

Não consigo perceber nessas manifestações a existência de grupos ideológicos fortemente combativos, em franco processo de lutas destrutivas, capazes de provocar uma aguda desestabilização sistêmica, ao ponto de criarem um vazio político, um caos desagregador que levasse e possibilitasse aventuras golpistas, como foi o caso da Espanha republicana ou da Alemanha pré-nazista. Se alguém aventar o golpe militar de 1964, como exemplo, devo lembrar que havia outras conjunturas políticas, como a guerra fria, o crescimento dos ideais comunistas-libertários, o que levou ao Estado norte-americano investir pesadamente no golpe. Ouso dizer que não foi por ausência de uma frente de centro-esquerda que o golpe militar foi vitorioso, mas pela fraqueza de um governo que confundia popular com populismo e associava Democracia com permissividade e fraqueza.

As atuais manifestações populares em todo o mundo possuem características contraditórias, difusas e expressam inconformismos plurais referentes à crise do neoliberalismo econômico, ao tentar voltar ao passado, eis que a linha do tempo histórico se revelou implacável no desnudamento do trágico embuste. Não deve causar estranhamento ou surpresa, o fato que a população rejeite os Partidos políticos enganadores, mais de perto os que diziam ser da esquerda transformadora que avalizaram o neoliberalismo, formando Frentes de "centro-esquerda" almejando a partilha do Poder. O que restou das propostas populares foi apenas poucas migalhas populistas. Portanto, no meu ponto de vista, essas manifestações populares "sem lenço e documento", plurais e revolucionarias, sem guias e sem modelos, é algo novo que não se encaixa nas análises dogmáticas dos dialéticos pragmáticos e nos modelos históricos do passado.

Possivelmente, alguns desses teóricos que defendem uma Frente política visando manter Dilma e seu grupo político, possuam algumas motivações infra racionais não-confessáveis, enquanto outros são embebidos da mais pura boa-fé ingênua. Esse grupo político que está no governo, formado por naipes variados de interesses, é fruto de um compromisso histórico que vise alicerçar algumas conquistas populares e uma ampliação democrática possível, através de um acordo temporário político? Se for afirmativa essa indagação, então, torna-se necessária a Frente política, mesmo que isso seja para alguns Partidos, um freio temporário nas suas ambições políticas.

Um compromisso político estabelecido com Sarney, Jader Barbalho, Collor de Mello, Maluf, Renan Calheiros é um acordo que visa avanços populares e democráticos ou uma negociação precária de governabilidade, fechando os olhos para a corrupção e o patrimonialismo populista? Dependendo da resposta, a Frente justifica-se ou não, lembrando a frase sempre atual de H. Arendt que, "banalizar o mal é pior do que o próprio mal", tendo em vista que no caso dessa Aliança governamental, pelos fatos amplamente divulgados, parece não se tratar de uma simples banalização, mas de um alto teor de cumplicidade.

Senhores teóricos da conciliação dialética, ponham-se no lugar dos pequenos Partidos de esquerda que se mantiveram afastados do Poder, pagando o preço do isolamento e convivendo com um raquitismo político, decorrente das suas intransigências ideológicas. Não perder a referência da luz tênue do farol ideológico, frente a um mar bravio, não é o único trunfo político que resta a eles na conquista da influência política, junto à população descontente? A não ser que haja uma grande possibilidade de um enorme retrocesso político, nada justificaria um freio nas reivindicações radicais-transformadoras desses Partidos. Existe mesmo o perigo de golpe fascista ou é a antiga dialética da implementação dos pares dicotômico amigo-inimigo, com a construção de oposições alarmantes que objetivam a formação de acordos espúrios? Não foi isso que um certo Partido de Esquerda fez no final da Ditadura Vargas, transformando o caudilho ditador em um progressista estadista? Sarney não foi transformado em um legitimo Presidente Democrático, chefe supremo da Nova República, através dessa dialética pragmática e espúria? O que restou dessas Frentes de mudanças? Um avanço das mudanças populares ou uma Constituição feita por um Congresso eleito pela ditadura militar, cheia de incongruências, de acordos díspares, de normas programáticas que permitem um Judiciário usurpador agir em defesa dos velhos privilégios? Uma Constituição Democrática ou uma farsa negociada com o aval da esquerda, onde nas inúmeras contradições existentes já se encontra a potencial síntese germinal da destruição da Democracia? O Brasil mudou ou mudou para que nada mudasse?

Todo processo de mudança tem seus riscos, pois, gradativamente, os ganhadores do passado perdem seus privilégios em prol do desenvolvimento social. E ninguém cede alguma coisa, a não ser que esteja em eminência de perder todas as coisas e como as elites dizem: "vão os anéis e ficam os dedos", apesar de em muitos países que aconteceram mudanças verdadeiras, os dedos foram atrofiados, restando alguns anéis honrosos. No Brasil, das mudanças da falsa dialética prostituta, os dedos continuam cada vez mais ágeis, os anéis se acumulam e para acalmar a população descontente, anéis de fantasia são ofertados por caridade, com aval de alguns Partidos avermelhados, que dizem: "melhor isso do que nada. Melhor bosta de pombo no olho, que bicada de gavião".

Enfim, deve ser criada uma Frente de centro-esquerda? Mesmo hesitante, devido às minhas perenes dúvidas e querendo ser convencido do contrário, acho que não. Creio que o momento é de inserção nos movimentos de massa, com cautela e sem arrogância dogmática dos "salvadores da Pátria". Buscar negociar uma pauta mínima com os Partidos e entidades de classe, visando à luta contra a corrupção, o estabelecimento de um novo marco refundador político e de cidadania, com a conclamação de uma verdadeira Assembléia Nacional Constituinte para a construção de uma Constituição popular e Democrática impeça as elites derrotadas no Parlamento busdarem socorro em um Judiciário usurpador. Evidentemente, os perigos são enormes, pois as elites políticas brasileiras não estão acostumadas com reveses políticos dos seus privilégios. Uma aguda crise de governabilidade pode acontecer, mas isso não autoriza que façamos um acordo apressado e derrotista. O tigre pode ser solto, no entanto, não vamos tentar monta-lo, nem fugir apavorados. Vamos olhar nos seus olhos e se necessário, efetuar um retorno dialético ao tempo das mandíbulas que estraçalhavam e rasgavam as nossas carnes. É necessário reescrever o passado, trazendo-o para o presente em busca de um futuro inovador.

Infelizmente, alguns companheiros que sentiram a mandíbula dilacerante do tigre, fogem assustados ao ouvirem um simples miado de um gato caseiro. "Felino é felino", dizem, para depois, sentenciarem: "gato escaldado foge de água fria". Nada mais falso! Eles confundem o efeito com a causa. O terrível felino não passa de um tigre velho, comedor de pessoas, treinado pelos donos do circo para punir e assustar os desviantes, pois não passa de um escravo com status de gladiador. Olhar nos olhos do velho tigre, mesmo com o risco das suas mandíbulas trituradoras, é o desafio subversivo da liberdade, os momentos de empatia construída pela coragem e o sacrifício, um ato de fé transcendente no Coliseu das ruas contemporâneas, o desmascaramento dos donos do Circo. Como poderemos fazer acordos com eles?

Ivan Bezerra de Sant Anna



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