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domingo, 29 de junho de 2014

Qual o seu estilo, Felipão?

 Qual o seu estilo, Felipão?


Após a Seleção brasileira ter escapado de uma desclassificação humilhante - graças às duas traves mineiras - Felipão tentando encobrir sua frustração e esforçando-se para engolir sua baba colérica, tal qual um Dragão de Komoto de sangue gelado, vaticinou que voltaria a ser o velho Luis Felipe, um homem violento que não faz concessão a ninguém. Mas, será que alguém que cultiva a arte de pensar acreditou nas mudanças do gladiador dos pampas? O papel do bom velhinho, bem humorado, plantando cevada na Granja, analisando os adversários com imparcialidade, o paizão do Brasil, não fazia parte de uma canhestra novela global que a mídia construiu? No entanto, ninguém é de ferro, e como deve ter sido difícil para uma pessoa acostumada a dar bordoadas nos adversários, de uma dia para a noite, manter o riso das hienas congelado no rosto, ou verter lágrimas como um crocodilo faminto dos rios tenebrosos. Afinal, morder adversários não é exclusividade de Luis Soares, e existem muitos tipos de focinheiras.

Será que o verdadeiro estilo do Felipão era aquele de um pretérito jogador medíocre que chutava as canelas ousadas e criativas dos adversários? Ou de um técnico que armava seus times para impedir a arte futebolista, propiciando verdadeiras carnificinas, espetáculos deprimentes que, na sua fase gremista, alcançou seus objetivos devido aos aplausos da imprensa e dos olhares cúmplices dos árbitros? Se foi esse estilo que o saudoso técnico da Canarinha quer resgatar, então cabe aqui um lembrete com a tonalidade vermelha das advertências: a sua fórmula estratégica que teve sucesso no Grêmio, em outros times, não obteve os resultados esperados, a não ser encenar espetáculos de guerra, como foi o caso da participação de Portugal na Copa de 2006, ou sua passagem lamentável pelo Chelsea, a qual os torcedores ingleses preferem esquecer.

Essa fórmula (jogadores obedientemente medíocres + violência + cegueira arbitral), segundo algumas pessoas, não deu certo na Copa de 2002? A resposta é afirmativa, no entanto, devo lembrar que o Brasil se classificou e passou das oitavas graças às cataratas que cobriam os olhos dos árbitros das partidas contra a Turquia e Bélgica. Nessas duas oportunidades, a Seleção brasileira, que tinha quatro volantes  no meio campo e foi profundamente vaiada, e a torcida pedindo a substituição do Fenômeno, o jogador global da Nike. Depois tudo foi aplauso e elogios da imprensa brasileira, esquecendo de dar os créditos aos verdadeiros heróis do título: Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo. Será que essa história vai se repetir ou será uma comédia trágica, impulsionada por um retorno a um passado que deveria ficar sepultado pelo tempo verbal, o pretérito-mais-que-perfeito? Felipão, apegado a sua mágica fórmula, acha que sim e a prova disso é a sua revolta contra as declarações dos técnicos de outras Seleções, preocupados com as arbitragens que possam beneficiar a Seleção Canarinha. Ora, a Turquia não era a Croácia, a Copa não era no Brasil, as outras Seleções - mas de perto, a pobre Bélgica - esqueceram da terrível influência do Havelange, e de uma certa dívida da Nike e da FIFA para com a Canarinha, em decorrência daquela final fatídica contra a França em 1988, tese preferida pelos paranóicos plantonistas. Entretanto, mesmo sem levar em conta essa teoria da conspiração, os adversários do Brasil deveriam ter tomados certas precauções, como estão fazendo no atual momento, denunciando uma possível interferência dos árbitros em favor da Canarinha.

Será que o raivoso Felipão tem razão quando afirma que os técnicos das outras Seleções estão criando preconceitos nas cabeças dos árbitros, dando como exemplo, os erros do árbitro inglês em favor do Chile? Em primeiro lugar, não houve erros por parte do árbitro inglês, mas uma arbitragem imparcial e correta. Em segundo, depois de toda gritaria da imprensa internacional e dos adversários, se existe mesmo essa conspiração, a FIFA jamais repetiria a dose, pois seria dar um recibo assinado que a Copa é uma farsa. Entretanto, convém aos adversários não baixarem a guarda, porque a influência de Havelange não pode ser banalizada; as concessões do governo brasileiro, nunca feitas para outros países sediantes, como é o caso da isenções de impostos que são altamente suspeitas; e as denúncias de corrupções atuais da FIFA são preocupantes.

Ora, Felipão, essa saliva furiosa que escorre do seu queixo, não é a baba de um velho leão cansado, mas um líquido que umedece a língua de um gatinho de pensão, acostumando com as paredes e móveis de uma casa. A quem você quer enganar? A imprensa desportiva que sempre passou a mão sob a sua cabeça, considerando você um Deus, esquecendo de exercer uma crítica eficaz que criassem obstáculos a sua eterna fórmula? Quem convocou jogadores que jamais poderiam estar na Seleção e esqueceu de convocar jogadores com maiores experiências, como, por exemplo, Kaká, Robinho e outros? Sua fórmula entediante não está funcionando, até o presente momento, a não ser no quesito violência, mas isso é muito pouco, pois seus jogadores medíocres e obedientes estão perdidos dentro do campo, e a cegueira dos árbitros só existiu no jogo com a Croácia. Teria sido bom que o árbitro inglês estivesse com catarata, não é? Assim, Hulk teria sofrido uma penalidade máxima e teria feito um gol com ajuda do seu braço, e isso seria muito bom, não é verdade? Porque para o nosso possesso técnico o importante é ganhar, mesmo com um futebol que desmerece a nossa história honrosa de arte e talento.

Essa Copa não é a vingança do desastre acontecido em 1950, como a de 1994 não vingou a derrota do Brasil em 1982. A Seleção de 1950 era um grande time, formado de grandes jogadores e que foi derrotada por ter comemorado na véspera, banalizado totalmente o adversário. Situação análoga se deu com a Seleção brasileira contra a Itália que perdeu por problemas emocionais, mas que marcou um página inesquecível na história do futebol mundial. Quase todas as pessoas nos diversos países do mundo rendem homenagem a grande Seleção Brasileira de 1982, assim como colocaram a Holanda de 1974 no mais alto Panteão do futebol mundial. Futebol é arte, apesar de a FIFA hesitar em mudar as regras antiquadas que beneficiam o futebol-força e esquemas de compactação, nos quais qualquer jogador obediente é eficiente. Quem se lembra da Seleção brasileira de 1994 do teórico Parreira, um treinador que fazia dos jogadores apenas meras peças de manipulação? Somente o genial  Romário é lembrado e com toda razão: em meio a um aglomerado de jogadores medíocres, o "baixinho" brilhava como uma estrela solitária.

Felipão não vai retroceder, pois ele nunca mudou e tudo não passou de uma maquiagem de péssimo gosto. Com essas regras atuais vigentes, Felipão poderá até ser campeão se conseguir colocar um meio-campo no time, pelo menos razoável. De qualquer maneira é necessário que o Felipão reze todos os dias, para todos os Santos, principalmente para as Santas Balizas.

Ivan Bezerra de Sant Anna
 


Publicado no site http://www.facebook.com/ibezerra52; http://ibezerra.xpg.com.br e no Blog http://terradonunca-ibezerra.blogspot.com/

segunda-feira, 23 de junho de 2014



Para quem as vaias dobram? 



Em um País democrático, as vaias são, simplesmente, vaias somente. É um momento de protesto, um repúdio contra alguma coisa que não vai bem. Quem vaia não respeita ninguém, nenhuma autoridade é poupada, e nem mesmo quem vaia. Quem é o alvo da vaia não deve se sentir ultrajado, principalmente se passou a vida vaiando tudo e todos. Ao contrário! Um cidadão que vive com orgulho em uma verdadeira República, mesmo constrangido por ruidosas vaias deve tirar desse momento de dor uma lição de cidadania que vai lhe permitir uma possível reflexão. Isso vale para os países que apreciam os acordes da Marselhesa e nunca para populações que sambam embaladas pela enfadada frase poética das elites indignadas, que vaticinam: "Vocês sabem com quem estão falando?"

E de quem estamos falando, dos que vaiam ou são vaiados? De ambos! Como já disse, vaiamos quando algo vai mal, quando alguma coisa se apresenta ao nosso olhar como um terrível incômodo de uma luz solar refletida do gelo. Às vezes, um espelho de Narciso que reflete mil faces, máscaras assustadoras que não sabemos que temos, mas que grudam como alternativas peles em um rosto sem contornos perenes. Assim, vaiamos os nossos desejos reprimidos, refletidos em despudorados provocadores; vaiamos sem piedade o individualismo possessivo sem limites, mas limitados em nossas ações cotidianas pela ausência de oportunidade e, sobretudo, cuspimos sonoros gritos contra a diferença, impulsionados por nossas indiferenças protetoras. Afinal, depois dessas copiosas e monótonas dúvidas,  devemos vaiar ou não? Claro, ora pois! Se vaio, logo existo vaiado e ao refletir, cresço de vaia em vaia.

Nessa Copa Buena, a Copa das Copas, aprendemos que o ânimo vaiante declina do Sul para o Norte, em uma aparente contradição entre o clima e o humor. Quanto mais enraivecido e esbravejante o sol, mais abrandado fica o ânimo das pessoas. Coisas do Brasil? Por exemplo: o nordestino, o "cabra da peste", o herdeiro de Virgulino, acossado pelas fulgurações solares e pela madrasta necessidade, troca as vaias pela cândida musiquinha, "Eu sou brasileiro, com muito orgulho...". Será ele o mais patriota, aquele que calça as chuteiras da Pátria? Ou seria ele um aposentado do cangaço, um seguidor dos místicos "pais do povo", aquele que cordialmente cede seu voto em troca de pequenos favores? A culpa é do sol, dizem alguns, pois esse astro escaldante queimou os neurônios do sertanejo, ao longo dos séculos cruéis. Tenho uma melhor explicação, mesmo que beire ao simplório: o sertanejo já usou o jaleco, a peixeira cortante, o punhal afiado, mas nunca aprendeu a vaiar!

No entanto, as vaias podem vomitar hipocrisias, astutas malandragens, se impulsionadas por uma mídia manipuladora a serviço de moralistas imorais. Pobre Diego Costa, vaiado sem clemência por pessoas tostadas pelo sol que nunca aprenderam a vaiar! Vaiaram por um patriotismo extremado, embalado pelas chuteiras mágicas da Copa? Se a essa indagação fosse obtida uma resposta afirmativa, por que não vaiaram a declaração hipócrita do Filipão quando sugeriu que o filho de Lagarto era um traidor? Logo ele que dirigiu a Seleção de Portugal e mandou que Deco e o baiano Pepe se naturalizassem portugueses? Por que não vaiaram um técnico decadente que convocou mal, utilizando-se de jogadores que estavam em péssimas fases na Europa, teimando convocar um Jó medíocre e um Fred decadente? As vaias não deveriam ir para um técnico que seu empresário é o mesmo de alguns jogadores que foram inexplicavelmente convocados? As verdadeiras vaias não respeitam coincidências nem contradições mal explicadas!

Vaiamos porque "somos brasileiros com muito orgulho" e, sobretudo, cidadão do mundo civilizado. Vaiamos uma Copa que foi realizada para enriquecer alguns, um torneio em que a FIFA exerceu um singular autoritarismo, sendo presenteada por uma imensa isenção de imposto, fato que não aconteceu em nenhum País que sediou a Copa, inclusive na subdesenvolvida África do Sul. Vaiamos as obras superfaturadas, os elefantes brancos inacabados, o uso das Forças Armadas no policiamento das ruas, a voracidade da nossa elite vampiresca e ao mesmo tempo tão subserviente aos interesses da FIFA. 

Vaiamos porque amamos o Brasil e vamos continuar vaiando, amando, chorando, torcendo pela canarinha, pelo verde de nossas matas, por nossa Pátria com chuteiras rotas e mágicas. 

Ivan Bezerra de Sant Anna
 
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quinta-feira, 19 de junho de 2014

Meu caro amigo



Meu caro amigo






Meu caro amigo me perdoe, por favor, por essa carta incisiva. Ao que parece, o grande Chico Buarque que encantava à sofrida "classe média", enchendo os auditórios, solfejando as suas músicas nas ruas perigosas, está muito distante, brilhando em algum ponto da parede do céu. O povão nunca entendeu as sua música, preferindo os Amados Batista da vida, inconscientemente apoiando os militares, enquanto nós, uma pequena parcela da sociedade, arriscávamos nossas vidas, embaladas por um sonho de dias melhores. Todos estávamos juntos, inclusive o Lula e a Dilma, podendo afirmar que eles são o que são, graças aos nossos votos e nossa constante luta. Não somos uma "classe média" venezuelana, um agrupamento social reacionário, mas pessoas com dignidade que sempre encheram as ruas com coragem e destemor. Você existiu porque comprávamos seus discos e cantarolávamos suas músicas no negrume das noites ditatoriais. Qual é sua origem, a de Dilma e da maioria dos dirigentes petistas? Não eram filhos de famílias brancas, endinheiradas que tomaram a reflexão critica como um dever e a luta como necessidade? É algum crime continuarmos tendo dúvidas, cultivando o Pensar crítico, vaiando, protestando, como você nos ensinou com a sua música?

Caro amigo, infelizmente, 
"Aqui na terra 'tão jogando futebol 
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll 
Uns dias chove, noutros dias bate sol 
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta 
Muita mutreta pra levar a situação 
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça 
E a gente vai tomando que, também, sem a cachaça 
Ninguém segura esse rojão" 
É, caro Chico, a coisa aqui tá preta e ao que parece, somente os "brancos e endinheirados" percebem isso. O que mudou, caro amigo, você com seu Lulismo ou nós com as nossas vaias? Aliás, mesmo nos velhos tempos, já vaiamos você quando insistia entrar ébrio nos shows, devido a sua atávica timidez. Está esquecido? No entanto, tínhamos a consciência que devíamos separar a personalidade artística da empírica, para preservar e manter intacta sua obra, das eventuais bobagens do Francisco de Holanda. Infelizmente, não fomos tão condescendentes com o Nelson Rodrigues como deveríamos ser, pois enxovalhamos a sua grande obra em decorrência das suas empíricas vivências reacionárias.

Você diz que não entendemos que um país que foi espoliado durante séculos por elites vorazes, não poderia mudar em pouco espaço de tempo, e que não enxergamos os grandes avanços sociais proporcionado por Lula. Entendemos e enxergamos, caro amigo. Mas esses "avanços" com uma melhoria no poder de compra da população, começou com o Plano Real, com a bolsa família de Ruth Cardoso e com o uso do BNDES para financiar o trôpego e desonesto capitalismo brasileiro. E o que dizíamos disso, lembra-se? Você e o agrupamento de Lula não diziam que essas medidas eram populistas, esmolas eleitoreiras? Se o Lula foi um FHC, multiplicado por dez, por que não podemos continuar dizendo? Se FHC distribuiu bolsas famílias, usou o BNDES para financiar grandes empresas  é um diabo, e quando Lula faz a mesma coisa é um santo salvador, onde vai parar a boa e velha lógica? 

Responda-me, caro amigo: é correto o Lula e seu filho possuírem inúmeras fazendas, quotas acionarias na Oi Telecom e uma empresa de processamento de carne, a Friboi? Acha certo, por tudo que lutamos, que altos dirigentes petistas estejam atolados na corrupção? E o Maluf, Sarney, Collor, e tantos outros representantes das velhas elites que em vários séculos saquearam o Brasil, poderiam ser aliados de um governante que se diz mudancista? Poderia explicar essa mágica? Afinal, quem é essa terrível elite pirata? Os aliados atuais da Sra. Dilma que outrora estavam apoiando a Ditadura militar, ou somos nós, os "classe médias brancos endinheirados" que no passado, ouvíamos sua voz fanhosa, embalando os nossos sonhos? Você não estaria dramatizando as diferenças entre Lula e FHC, tentando esconder as grandes semelhanças? Quem representa as velhas elites que secularmente espoliaram o Brasil, FHC, Serra, Mario Covas ou Maluf, Sarney, Collor, Delfim Neto, Emilio Oderbrect, José Alencar e outros? O primeiro grupo capitaneado por FHC, salvo engano, sempre lutou contra as elites e estava nas ruas contra a Ditadura. Quanto ao segundo grupo comandado pelo Sarney, hoje aliado ao Lulismo, sempre esteve contra o povo. Estou faltando com a verdade, Francisco de Holanda?

Aliás, como devo lhe chamar, Chico Buarque ou Francisco de Holanda? Você mesmo não sabe, não é? Que roda viva, caro amigo! Acho que você murchou a sua festa, não guardando o velho cravo renitente, aquele cravo do Patrício Lubumba, e possivelmente serão os garotos das ruas endinheiradas, aqueles protestam nas ruas, que plantarão a semente em algum canto do jardim. O tempo foi muito cruel para você, caro amigo. Não estou dizendo isso pelas suas profundas rugas que sulcam seu rosto, tal como leitos dos riachos calcinados pelo inclemente sol, mas por ter absorvido a seiva pegajosa das eternas crenças senis. Melhor seria o silêncio de Francisco, pois já não é o dono da voz e das mãos que outrora construíram frases de grande densidade poética, formataram sonhos e galgaram o cume da transcendência.

O samba está na rua, dançado e cantado pelos descamisados, pelos "endinheirados dos extratos médios"  e por você, caro Chico Buarque. Se Francisco de Holanda vai estar de galeria com as "elites populares do Sarney", batendo palmas educadas como turista, apenas diremos: "Quem te viu; quem te vê".

Ivan Bezerra de Sant Anna


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terça-feira, 10 de junho de 2014

A Copa do jogo da bola




Está havendo uma limpeza das ruas brasileiras, no sentido de retirar os pedintes, ambulantes, os diversos tipos de marginalizados que poderiam criar uma péssima  impressão aos turistas da Copa do Mundo. O nosso Exército brasileiro está ajudando nessa gloriosa tarefa, pois em um país com uma grande densidade democrática, o nossos gloriosos soldados da pátria possuem inúmeras funções, dentre elas, as policiais. Vejo que a Ditadura militar foi quem introduziu essas inúmeras funções, o que se pode afirmar que os nossos generais plantaram uma semente democrática nos momentos de chumbo, interpretação baseada na sobrevivência dessas práticas.

Pelo que parece, a proibição nos EUA do Exército  ir às ruas das cidades é uma tradição um tanto obsoleta, bem como essa proibição que vige em outros países da Europa, como demonstra os atuais avanços democráticos no Brasil. Claro que quando houve a Copa do Mundo na França, Inglaterra, Alemanha, o policiamento era feito pela Polícia e os dignos soldados das forças armadas desses países, ficavam na caserna e vendo a Copa pela televisão. Já na África do Sul que é uma das mais avançadas democracias do mundo, assim como o Brasil, usou as gloriosas forças armadas para policiar as ruas. Pelo visto, o Brasil do Lulismo é mais que moderno, onde as baionetas, canetas judiciais, a bola, as bolsas "disso é daquilo" formam uma bela salada de frutas tropicalente.

O Brasil é um país fantástico! Tudo funciona do jeitinho brasileiro. A pobre taça Jules Rimet que consegui sobreviver a 2ª Guerra mundial, a tentativa de roubo na Inglaterra, mesmo com a proteção dos braços aberto do Cristo Redentor, teve um triste fim e hoje, possivelmente, descansa em alguma galeria de um rico colecionador, apesar do relatório policial declarando que a pobre Jules virou barra de ouro. O que foi derretida foi a vergonha desses policiais com essa conclusão cínica que objetivou encobrir alguém.

Já somos o País mais corrupto do mundo ou em palavras mais amenas: um País com uma elite compostas de pessoas muito sabidas que alternam com muito eficiência a tapeação e o tacape. Infelizmente é Copa do mundo só veio confirmar esse título que foi  conquistado ao longo do tempo por jogadores habilidosos e criativos, sempre driblando a moralidade pública com firulas imortais, fazendo inveja ao Pelé, Garrincha e outros. Quem é a nossa verdadeira Seleção de craques? Será a de Neymar, Fred, Marcelo, Thiago? Ou a de Sarney, Emilio Oderbrect, Maluf, Lula, Constantino? Esse último escrete já é vencedor imbatível no jogo da bola, e o primeiro escrete vai tentar ser hexa, chutando a bola. Chutar ou pegar a bola, eis a diferença de um jogo para outro. Seja qual for o resultados dos nossos esforçados garotos chutadores de bola, mesmo antes de começar a Copa, já seremos super campeões de um esporte onde colocar a mão na bola não é infração, mas o caminho para ovação e para a ribalta.

As cidades fervilham em protestos, imensos movimentos sob diversas óticas e interesses, sem comandos hierárquicos, uma massa quase amorfa que combina diversos tipos de protestos, inclusive aqueles de uma grande violência destrutiva. "Isso é fascismo; são movimentos factuais que destroem o tecido democrático", dizem os governantes, respondendo com as tropas federais nas ruas. Em nosso País, as legiões sempre cruzaram o rio Rubicão e os resultados nunca foram dos melhores. Entretanto, o que as nossas elites governantes não conseguem ou não querem ver é que esses famosos movimentos "sem lenço e sem documentos", tem suas origens e motivações na destruição do velho espaço normativo-instituicional, dos planejamentos urbanos acordados em lei, substituídos por uma plasticidade pragmática e pontual das demandas sociais. Tudo isso moldado por princípios indefinidos, manipulados pelos flexíveis planejadores estatais e pelo Judiciário.

E,nada melhor do que deixar os "bolsistas desvalidos"  invadirem áreas de proteção ecológicas, terrenos públicos reservados para obras públicas, pois essas serão as áreas futuras que Capital imobiliário possessivo usará para a construção da sua pós-modernidade neo-liberal, preferencialmente financiada pelo dinheiro público. A fórmula é simples: "vamos deixar invadir em nome das demandas alternativas e depois tomaremos em nome da lei, criada e recriada pelo nosso aliado, o Judiciário". Afinal, o neo-liberalismo é contra o monopólio, a não ser que seja ao seu favor.

Cinicamente, os governantes atuais, acobertados sob as vestes de falsas tintas rubras, lamentam a ausência de organização dos movimentos das ruas, como se esse fenômeno fosse algo que irrompeu de um misterioso Id freudiano, forças atávicas titânicas. Essa miopia, um tanto desonesta, não os permitem ver que foram eles que desmobilizaram os movimentos de massas organizados, os agrupamentos da sociedade civil, anexando-os por suborno ou por obediência ideológica-partidária, à máquina governamental. Não percebem ou não querem perceber, a violência do Capital neo-liberal que se impõe sobre a sociedade e o espaço de convívio das cidades. O mal de Alzheimer que se alastra e destrói os poucos neuróticos saudáveis de alguns integrantes do Lulismo, provoca uma amnésia lastimável em relação ao processo dialético que outrora faziam uso, inclusive da bela mensagem do poeta alemão, B. Brecht, que diz: "Dizem violento o rio, mas esquecem as margens que o oprime".  



A Copa é tudo e representa o melhor dos mundos, mesmo que seja por um mês. E depois, como fica a saúde, o transporte urbano, a educação? Bom, existem as Arenas e quando o seu filho adoecer, não se faça de rogado: corra com a criança nos braços para as benditas Arenas, administradas pelas empreiteiras, pois nelas estão o dinheiro que deveriam ir para os hospitais.

Ivan Bezerra de Sant Anna



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quarta-feira, 4 de junho de 2014

Que sapiência, Presidenta!





Que mundo estranho! Esse reino da pós-modernidade que tem Deleuze como um dos ícones, um topos ideológico baseado em uma confusa alteridade que relativiza a verdade ao sabor do doce pragmatismo constitutivo. Poderá ser a última acomodação explicativa do capitalismo que esvazia todo conteúdo simbólico-normativo do edifício econômico e social, deixando os conceitos submetidos aos princípios abstratos, indefinidos, e definidos pelas acomodações do mercado. Em outra palavras: pura e indigesta salada de variedade, revestida sob uma bela e sofisticada capa teórica que impulsiona o populismo intelectual e político que, em terras brasileiras, nem sempre se dá ao trabalho da sofisticação.

Esse descuido da senhora presidente pode ter muitas explicações, dentre elas, a sua necessidade imperiosa e compulsória da afirmação dos seus atributos femininos. Uma mulher pode ser Presidente, gerente ou qualquer coisa, sem que isso precise recorrer a um ato de puro arbítrio, violando a gramática de uma maneira tão bisonha, beirando a fronteira crepuscular da ignorância. A palavra "presidência" denota a função de presidir e é um substantivo feminino, Sra. Presidente! Se a palavra já é feminina, por que substitui-la por outra de existência negada pelos  verdadeiros gramáticos? Duplicar a feminilidade dessa palavra não é somente um erro grosseiro, como poderá ser a afirmação  da sua negação, mesmo que não seja o seu real objetivo. Não lhe ensinaram na sua época de guerrilheira de esquerda que na Dialética uma dupla negação afirma um certo conteúdo da tese negada e que uma dupla afirmação é tentar escamotear a sua negatividade?

Entendo que esses atos de arbítrios são decorrentes de inseguranças existenciais e políticas, pois quando o arcabouço institucional normativo-simbólico não atende às variadas demandas sociais e econômicas, o único recurso existente é o populismo e quando esse se mostra insuficiente, o autoritarismo entra em cena. Como Marx afirmava que a base econômica é predominante,  essencial para o desenvolvimento e manutenção ampliada de uma ideologia, quando a crise se instala ou está em uma virtualidade explosiva, o autoritarismo é uma pedra de muitas pedras que pavimentam o caminho do totalitarismo.

Uma palavra feminina que é sinônimo do Poder Executivo e quando inscrita em uma chapa de um veículo, quer apenas dizer que o referido veículo está a serviço do referido Poder e nunca o sexo do chefe que o preside. Essa simples mudança ingênua de palavras, Sra. Presidente, não vai resolver nada, a não ser a demonstração inequívoca que um ato caprichoso pode violar o conhecimento adquirido com muito esforço pela humanidade e construir banalidades perigosas. E pior: para algumas pessoas embaladas por medos paranóicos, essa translação de Presidência para Presidenta pode ser um ato influenciado por desejos reprimidos inconfessáveis, exemplificado por um acontecimento de triste recordação, quando a Sra. Marilza em sua santa devoção, confundiu a titularidade de propriedade de uma obra de arte que era um Cristo da Presidência, com um Nazareno do Presidente, consequentemente, da "Presidenta" Marilzenta. No entanto, Lula é Lula, o Cara de Obama, o filho dileto de Deus e sendo assim, não cometerá nunca violação ao 7º Mandamento, pois estará sempre amando o próximo como a ele mesmo. E um crucifixo, o dinheiro público podem estar bem próximos...

Se trocar a palavra Presidente por Presidenta já é considerado um grave erro gramatical, imagine Presidência por Presidenta. Aliás, essa palavra é um puro capricho seu, aplaudido por gramáticos aduladores e interesseiros. Como é o particípio ativo do verbo presidir, essa palavra não pode ser flexionada em gênero. Por exemplo: o particípio ativo do verbo Ser é a palavra "ente" e nunca poderá ser "enta", pois por associação melódica, impulsionada por um falso feminismo,  pode soar como "anta".

Coitada da nossa falsa República!



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domingo, 1 de junho de 2014

Partes

Somos partes
De um mundo partido
Paridos em partes
De quem, ninguém sabe
Mistérios que  chegam
Mistérios que partem

Quando eu me vejo
Não me espanto
Que do mundo me reparte
Você sou eu
Eu sou você
A melhor parte

Ivan Bezerra

sábado, 24 de maio de 2014

As elites estão contra Lula?





Lula apareceu na televisão, no programa do PT, e como um artista de uma telenovela chorosa, cuspiu salivas ácidas, tal como um Dragão de Komoto, derramando lágrimas sonolentas como um jacaré satisfeito com sua última refeição. Demonstrando  indignação falou aos brasileiros e brasileiras que estava sendo vítima de um complô orquestrado pelas elites com a finalidade de destruí-lo, e tudo porque não o perdoava por ter criado a bolsa família, um programa governamental de distribuição de renda. Esse velho bordão que já teve seu apogeu em épocas que era oposição, quando chicoteava ferozmente sua língua enrolada contra os integrantes dos governos, hoje, em dias atuais, merece uma boa reflexão.

Quem são essas terríveis elites que estão contra Lula? No passado, quando se dizia socialista e ferozmente brandia seu punho cerrado, era fácil identificar, pois eram todas as pessoas poderosas que queriam manter um modelo político autoritário, patrimonialista e populista. E na atualidade quem são essas elites refratárias ao Lulismo? Os empresários da construção civil que derramam elogios a ele e são beneficiados pela torrente cachoeira de fluxos financeiros da Caixa Econômica? Os empresários do sistema de educação privada que são financiados e mantidos pelo PROUNI? Os banqueiros que nunca lucraram tanto  como agora? Os ruralistas que atualmente podem invadir as terras amazônicas e que tem como aliado, o empresário rural Lulinha? Ou os integrantes da base de apoio parlamentar ao PT, distribuídos por vários Partidos políticos, dentre eles, o PMDB? Afinal, quem são essas terríveis elites que não apreciam o sabor suculento de uma lula ao vinho de jurueba?

Bom, quem sabe se não são os empresários de outros países poderosos, auxiliados por um coro polifônico de chefes de Estado? Nesse caso, como se explicam os elogios rasgados da imprensa internacional, as louvações de Bush e Obama, a chuva torrencial de doutorados Honoris Causa e o espaço dado por um grande jornal conservador americano para que o nosso Pai do Povo se expresse com suas "mal traçadas linhas"?  Que Fidel Castro, Evo Morales, Cristina Kirchner, Nicolás Maduro Moros declarem que são vítimas de uma terrível perseguição das elites poderosas é um fato aceitável, pois são constantes alvos de ataques sistemáticos pela grande imprensa financiada pelo Departamento de Estado dos EUA que já reservou um lugar privilegiado para eles nas labaredas tostante do Inferno.

Lula é um mágico, um notável em prestidigitação, um ilusionista, capaz de convencer a todos que Maluf, Sarney, Collor de Mello, Emilio Oderbrect, Nenê Constantino, Cachoeira, Eike Batista  e seus parlamentares seguidores não são integrantes de uma elite patrimonialista e corrupta? Um fenômeno de hipnose coletiva ou insuficiência cognitiva, oportunismo, um ato de fé fundamentalista, a honradez agradecida dos "desesperados" bolsistas? Como o leitor explicaria tal fenômeno?

Ora, afirmar que a Rede Globo pertence ao grupo das elites contrárias ao Lulismo é, no mínimo, uma grande desfaçatez, para não falar, um oportunismo deslavado! É esquecer a grande e prestimosa ajuda  que sempre deu ao governo petista (ela sempre faz com todos os governos), chegando a demitir vários repórteres por exercerem suas opiniões críticas em relação ao Lulismo, como por exemplo, Ricardo Boechat, Alexandre Garcia e outros. No entanto, a Vênus Platinada não pode ficar surda às manifestações da rua, sob pena de perder totalmente a sua credibilidade, consequentemente, o mercado. Então, efetuando um raciocínio por exclusão, sobraria a  reacionária Revista Veja e uns poucos semanários independentes que, associados com políticos do PSDB, formariam essa temível elite que vocifera contra o povo. Esse raciocínio não é tacanho e o uso de uma bala de canhão para matar um formiga? Ou melhor: destruir uma elite tão pequenina que caberia em uma velha Kombi? Não estaria o Lula e seus seguidores, dramatizando as diferenças para esconder as semelhanças?

Quem está contra Lula? Os integrantes dos extratos médios sociais que a cultora de Espinoza, a Sra. Marilena Chuai, diz professar um ódio eterno, cometendo um erro conceitual ao confundir extratos (associação contigente de pessoas de classes diferentes, agrupadas por semelhanças de status e acesso financeiro) com classe social? Aliás, o que não falta são intelectuais que fazem incursões tortuosas na dialética, recriando a lógica, sadomizando o entendimento, com a única finalidade de mascarar as contradições, provando que o  vermelho pode ser preto em situações especiais (o que eles chamam da lógica da diferença), trocando os conceitos por mitos, colados e seriados pelo oportunismo criador. Uns verdadeiros cultores do pós-moderno, não acham?

Serão elites refratárias as pessoas que estão nas redes sociais, nas ruas, protestando e exigindo um sistema público de saúde digno para população; transportes públicos de bom nível; o fim da imensa corrupção, uma ulceração cancerígena que se alastra pelo corpo da Nação? São aquelas que pedem a construção de de uma verdadeira República, onde se ouça os acordes da Marselhesa? São os que pleiteiam a modificação da bolsa família que, mesmo sendo de muita importância social, não pode ser um vil instrumento de compra de votos que até os gatos e cachorros são brindados? Esses terríveis vândalos da "classe média" não teriam razão quando perceberam que seus recursos financeiros arrecadados pela Fazenda Pública, estavam financiando 20 milhões de bolsas famílias (quando existem apenas 12 milhões de desempregados) e irrigando as caixas das grandes empresas, consequentemente, através do BNDES, mantendo um capitalismo financiado pelos recursos públicos?

Lula, responda uma coisa. Essa "classe média" que tanto causa horror aos seus seguidores intelectuais, não é a mesma que protestava contra a ditadura militar, que foi de maior importância nas "Diretas já"? Não foi essa "classe média" que pediu nas ruas a saída de Collor? Não a mesma "classe média" que sempre votou em você, antes de ir ao Poder? Quem mudou, Lula, ela ou você? Sei que para você é uma tarefa árdua, mas que tal ser honesto pelo menos uma vez na vida?

Ivan Bezerra de Sant Anna



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