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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O Urubu

O Urubu

Hoje é um desses dias que reputo de extraordinário. Estava no apartamento, quando de repente, mais do que de repente, pousou uma grande ave negra. Bem que podia ser uma pomba, um gavião, mas logo um urubu? E o bicho, com as asas murchas, lançava-me um olhar pedinte e suplicante. O que é que essa gávea ave quer, pensei. Lembrei-me que estava preparando um bacalhau à Gomes de Sá e isso poderia ser o motivo para essa visita inesperada. Divertidamente, pensei: essa pretinha gosta tanto de um bacalhau português, que é bem capaz de ir à segunda divisão em busca do seu grande amor. Nesse momento, senti uma grande ternura pela agourenta ave.

Nesse instante, essa imagem urubalina fez-se poesia! Acreditam? Minha memória evocava lembranças da antiga avenida Simão Dias, local onde morávamos, como também o poeta Sampaio, amigo dileto de meu pai. Ah, o poeta Sampaio... Que figura humana maravilhosa! Era o poeta dos despossuídos, dos humildes, das putas, dos molequeiros e de todos os infelizes. Talvez por isso, o urubu fosse uma fonte inspiradora, uma imagem triste e livre do devir humano. E talvez em um desse dias pesarosos, disse:

URUBU

Baste que se levante a mão
na sua direção
prá que o urubu
arranque vôo violento
tal o pensamento
que ele tem da humanidade.

E isto ele pensa
como para se vingar
do horror que a sua figura inspira.

No eterno luto das suas penas,
prá mostrar que tem alma branca,
ele descreve no espaço
os seus poemas incríveis
que o homem plagiou com os aviões.

E de lá do coração da distancia,
o homem em baixo,
um ponto miserável,
tal como se lhe afigura,

menor do que ele,
o urubu risca gargalhada de vôo
no rosto do infinito,
e sente que suas asas
são maiores que o pensamento humano.

E desce,
pousa no telhado,
Corre os olhos em torno,
inquieto, desconfiado,
como um grande que temesse
o ódio dos infelizes.

sábado, 29 de novembro de 2014

Mesmo sendo puta...

"Mesmo ela sendo puta", cara? Não entendi! Por que essa triste ressalva? É como Jesus dissesse, "não joguem pedras em Madalena, apesar de ser uma puta". Mas ele não disse isso, ao contrário, disse que essas pedras eram para os próprios apedrejadores. Ao fazer essa ressalva, não sentiu a dor de uma pedra resvalada?

O que as diferenciam das mulheres trabalhadoras, a não ser o desvalor social e o preconceito? Essa talvez seja uma das mais antigas profissões do mundo, mesmo antes da invenção do capitalismo, sistema socioeconômico que transforma todos os atributos humanos em um valor monetário. Não, cara! Elas não podem ser agredidas não por somente serem mulheres, mas por terem atributos especiais, pela coragem em enfrentar os preconceitos diários, por dar seus corpos para o toque suplicante dos solitários, pelo destemor do gozo e das fantasias, e a maioria delas, por pura sobrevivência,

Nunca use a palavra puta como desvalor, pois esse vocábulo sempre foi usado pelos machistas reacionários para cercear a liberdade, impedindo o gozo e as fantasias femininas. E são essas mesma pessoas, que entediadas com a mesmice das suas mulheres acorrentadas, vão ávidos em busca das mulheres livres, ou seja, as putas ou amantes putas. Essa é a grande contradição do machista caçador. O que lhes dá prazer é a liberdade fantasiosa da mulher, no entanto, quando as têm nas mãos, devido ao seu atávico senso de territorialidade e posse, retira as suas liberdades para perder consequentemente o seu tesão, e para resgatar o seu prazer, só lhe resta as intermináveis caçadas de um abutre que sonha ser um condor.  

Certos defensores das mulheres não conseguem disfarçar os seus sentimentos de propriedade em relação ao corpo feminino, mesmo rejeitando o uso da violência como instrumento de manutenção de posse. Estufam os peitos e dizem: "Não se deve fazer uso da violência contra a mulher, mesmo contra aquelas que insistem fazer do seu corpo um território de livre função do prazer". Esquecem esses fariseus vaidosos, que o corpo de uma mulher só a ela pertence, e quando descobre ter asas e nessas asas a brisa sopra, ela voa, faz piruetas, risca e rabisca o firmamento, faz careta de bruxa, e sempre retorna ao coração cúmplice que escolheu para amar.

Dessa maneira, cara, reflita sobre as palavras que expressa, pois elas podem ser mais perigosas, mais ardilosamente eficazes, na manutenção dos preconceitos contra a mulher. Para o machismo religioso e conservador, toda mulher que ousa ser livre é uma puta ou uma bruxa, estando as fogueiras à sua espera, mesmo que representadas por palavras ardentes. Sabe, cara, precisa ser muito homem para perceber que uma puta, uma bruxa, pode ser simplesmente, uns dos milagres de ser mulher.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Foi melhor

Foi melhor, Tonho Leite. Somente um caranguejo elétrico era capaz de morar nesse lodo nogento que era o Precaju. O verdadeiro carangueijo gosta do mangue carnavalesco, local animado pela vida plural e ritmado pelas variadas músicas e ritmos, em um regojizo das constantes inversões, tal qual um arbusto que respira pelas raízes, quer sonhar diferente, mas árvore ele é. É, caro amigo: "caranguejo não é peixe/ caranguejo peixe é/ caranguejo só é peixe na vazante da maré".

O mangue está morrendo e seu amor ecológico é um tanto estranho, pois é mais fácil ganhar na Mega Sena do que vê-lo em uma manifestação ecológica. Aliás, não entendi bem a sua proposta da criação de um museu do cangaço, na época da campanha eleitoral. Que tem a ver, cangaço com ecologia? Afinal, você é um "verde ecológico" ou um cultuador de Lampião? Ah, desculpe minha falta de memória: você é um ator! Não é um Marlon Brando, mas nessa terrinha de Del Rey, dá para o gasto, né? Por que, levando-se em conta sua plasticidade interpretativa, no verdadeiro período carnavalesco, não coloca seu bloco na rua? Afinal, não tocava as verdadeiras musicas carnavalescas quando estava ilhado por um oceano de Axé? Fica a dica.

domingo, 16 de novembro de 2014

O Crédito Penal

A OAB atualmente é um órgão paraestatal especializado na elaboração de teses jurídicas em defesa do PT. Isso não é novidade, haja vista, as inúmeras defesas dos mensaleiros e os ataques ao Sr. Joaquim Barbosa efetuados por essa entidade. Quanto a imoral corrupção que se alastra em nosso país, as bolsas de ajuda para os paupérrimos magistrados, e o terrível escândalo dos precatórios em nosso Estado, apenas ouvimos o zumbido incômodo do silêncio conivente.

Eles nunca escutaram o pio da coruja que voa sob as cores contrastantes do crepúsculo criativo. Eles gostam da noite, dos chios dos morcegos, do manto negro que protege a impunidade, e mesmo a luz tênue da lua, uma réstia lunar, pode causar sérios estragos aos seus olhos vivazes e gulosos. Assim como os magistrados, eles também são deuses de um reino subterrâneo, das cavernas escuras platônicas, local onde descansam com os pés agarrados no teto, uma postura decadencial, sem prazo estipulado.

Nesse cenário húngaro do Príncipe Drácula, os nossos produtores das mercadorias jurídicas preparam-se para lançar algo novo no mercado, uma nova pérola das mentes pragmáticas, o Crédito Penal. Falam que essa novidade tem o estímulo criativo do Ministro Barroso e do Ives Granda, sendo que o primeiro por puras razões mercadológicas, e o segundo por ser um visceral defensor do neoliberalismo. Aliás, deve-se dar mais créditos criativos ao Ives, pois, ao que parece, essa nova teoria penal tem muita analogia com o crédito tributário.

Depois de tanta conversa, o leitor já deve estar coçando de curiosidade, como se fosse um comichão preventivo ao se deparar com um eminente ataque de um pulgão incômodo. Portanto, o que é afinal essa nova teoria penal?

Calma, pessoal, não esperem nenhuma teoria com o grau de sofisticação, tão a gosto dos doutrinadores do passado. Os atuais juristas neoliberais são mais cultuadores da simplicidade, da uniformidade (assim como no Axé, eles falam sempre a mesma coisa com acordes diferentes, em uma música sempre diferentemente igual) e não ficam incomodados quando escrevem pouquíssimas frases originais, em meio a um oceano tumultuado de citações, pois como surfistas diferentes que nunca enfrentaram uma pequena marola, uma prancha virtual serve para todos. À deriva com os derivativos neoliberais, diria.

E o que vem a ser essa ditosa e secreta teoria? É muito simples! Segundo esse teóricos, toda vez que uma pessoa for condenada, chegando  a cumprir a pena integral ou parcialmente, e essa condenação for considerado ilegal e contra o sistema jurídico, terá essa pessoa injustiçada um crédito penal a ser usado para subtrair de uma futura condenação, os dias de prisão que se encontram no título de crédito penal. É uma espécie de compensação em que um título abstrato de crédito penal pode compensar uma condenação concreta. Nunca ouviram falar dessa teoria? Espero que nunca ouçam, pois ela está sendo urdida com a finalidade de compensar os anos de prisão que alguns mensaleiros tiveram no período da ditadura militar. Aliás, não fiquem surpresos com essa inovadora teoria, pois ela como fundamento de defesa política dos mensaleiros ou petroleiros, já é muito usada. Quem já não ouviu de um petista que os adversários também são corruptos e enaltecem o passado sofrido dos corruptos petistas? Não é como se dissesse que eles erraram, mas que o passado compensava?

E os Juízes, o que vão pensar dessa teoria? Bem, como existe um cipoal de princípios gerais, indeterminados e abstratos (e com eles podemos dizer que o branco é preto e leão é girafa), possivelmente uma boa e extensiva "interpretação" criativa resolva esse problema. Afinal, os juízes possuem o atributo da irresponsabilidade política, diferentemente dos agentes políticos que devem prestar contas ao povo em época eleitoral. Os juízes podem criar disfarçadamente  legislações sem a necessidade da prestação de contas políticas. Por essas e outras, e em defesa da mínima participação democrática, é que nos países europeus, nenhum juiz pode interpretar a Constituição, tarefa exclusiva das Cortes Constituicionais, integradas por agentes políticos com notável saber jurídico e com mandatos temporários. 

No entanto, Brasil é Brasil, local em que os advogados tornam-se juízes através do quinto constitucional ou por concurso, e que juízes quando se aposentam viram advogados. Uma cumplicidade tácita, autorizada por uma ilegítima constituição, que, quase sempre, transforma-se em cumplicidade negocial.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Para as ruas!

Se Dilmão ganhar, o Brasil estará dividido! Uma guerra entre o triste Nordeste (o pasto do coronelismo, o local de pessoas desesperadas que se contentam com RS 75,00 do Bolsa Família) e o resto do Brasil. Esse é o passado que nunca passa, o de ser governados pelos votos de uma região pobre, sem esperança, controlada pelas forças oligárquicas.

Não existe futuro para o Brasil, a não ser o caminho das ruas, um trajeto revolucionário pasmado pela desobediência civil, que vise a conquista de uma verdadeira República, construída e reinventada por uma Assembleia Nacional constituinte soberana.

Essa nossa farsa de República, não passa de um simulacro teatral de um Estado corrupto, onde as instituições são de meras farsas, dando principal ênfase ao Poder Judiciário, um órgão que é o principal culpado pela corrupção reinante.

Não vamos respeitar as vozes das urnas eletrônicas, pois elas não passam de instrumentos de desvios da vontade popular. A voz do povo está nas ruas e lá deveremos travar as batalhas, até a derrota dessas oligarquias corruptas, hoje representada por um grupo que veste camisa vermelha, mas, em verdade, não passa de um bando de ladrões. Não existem socialistas de esquerda corruptos! Eles são apenas Delinquentes que se estivéssemos em um País sério, eles estariam na cadeia, e não mentindo, corrompendo e roubando.

As vozes das verdadeiras mudanças, assim devem exclamar: se essa camarilha ganhar, não deve assumir. Se assumir, deve ser retirados do poder pelo povo nas ruas.

Por a união de todos os cidades, sejam civis ou militares para a refundação da República!


Para as ruas!

Se Dilmão ganhar, o Brasil estará dividido! Uma guerra entre o triste Nordeste (o pasto do coronelismo, o local de pessoas desesperadas que se contentam com RS 75,00 do Bolsa Família) e o resto do Brasil. Esse é o passado que nunca passa, o de ser governados pelos votos de uma região pobre, sem esperança, controlada pelas forças oligárquicas.

Não existe futuro para o Brasil, a não ser o caminho das ruas, um trajeto revolucionário pasmado pela desobediência civil, que vise a conquista de uma verdadeira República, construída e reinventada por uma Assembleia Nacional constituinte soberana.

Essa nossa farsa de República, não passa de um simulacro teatral de um Estado corrupto, onde as instituições são de meras farsas, dando principal ênfase ao Poder Judiciário, um órgão que é o principal culpado pela corrupção reinante.

Não vamos respeitar as vozes das urnas eletrônicas, pois elas não passam de instrumentos de desvios da vontade popular. A voz do povo está nas ruas e lá deveremos travar as batalhas, até a derrota dessas oligarquias corruptas, hoje representada por um grupo que veste camisa vermelha, mas, em verdade, não passa de um bando de ladrões. Não existem socialistas de esquerda corruptos! Eles são apenas Delinquentes que se estivéssemos em um País sério, eles estariam na cadeia, e não mentindo, corrompendo e roubando.

As vozes das verdadeiras mudanças, assim devem exclamar: se essa camarilha ganhar, não deve assumir. Se assumir, deve ser retirados do poder pelo povo nas ruas.

Por a união de todos os cidades, sejam civis ou militares para a refundação da República!


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O que é um corrupto?

O que é um corrupto? 




Na natureza, um corrupto é um bichinho do mar, uma espécie de camarão sem dignidade, que serve de boa isca para o deleite dos pescadores de molinete. Até o presente momento, não sei porque deram a esse bichinho inofensivo um nome tão ofensivo. Às vezes penso em uma hipótese: será porque a interessante criatura praiana se faz passar por um camarão, e por estar enganado os peixes, ele recebeu esse nome vil?

Deixando ao lado as criaturas do mar, em seus círculos de sobrevivência, volto a minha atenção ao mais criativo - e também mais destrutivo - dos animais: o bicho homem. Por que alguns deles são tachados de corruptos - no Brasil, o crescimento da espécie está virando uma calamidade -, e outros poucos escapam ilesos a esse adjetivo? Quais são as suas principais características e como diferenciá-los?

Em primeiro lugar, apesar da sua aparente fragilidade, o corrupto homem está no topo da cadeia alimentar, alimentado-se de todos, sem nenhum predador que lhe ofenda, já que possui alguns companheiros de toga preta, que existem para a preservação da espécie. Apesar da sua voracidade, a sua alimentação predileta é a bufunfa pública. Ou seja: o nosso sofrido dinheirinho recolhido aos cofres públicos que deveriam financiar o nosso bem estar.

O corrupto e o Capital se diferenciam como a água é diferente do gelo, formando uma tensão dialética, ou melhor: uma trindade tensionada do pai, filho e espírito, que no caso específico, não tão santo. Em ambientes ácidos, o corrupto não sobrevive, como por exemplo, na China e em Cuba, onde são sumariamente fuzilados e ainda pagam o projétil executor. Assim, é um contrassenso afirmar que existem corruptos de Esquerda, pois se alguns usam tons próximos ao vermelho, fazem apenas para enganar os tolos e desavisados. Portanto, não esqueçam: todos os corruptos são capitalistas, sendo que a maioria é adepta ao neoliberalismo, mesmo que alguns avermelhados queiram negar essa verdade.

O corrupto adora obras faraônicas de custo altíssimo e de conclusão duvidosa. Transposições "disso e daquilo", estádios de futebol, Projetos Petróleo Salgado - quem conseguir ver sofre o risco de virar estátua de sal - e construções de linhas de trens de todas as modalidades. Por falar em trens, onde se encontra o famoso Trem Bala? Segundo algumas línguas ferinas, o Trem se foi, ficando tão somente a bala a ser deferida nos adversários sem fé.

Corrupto adora o populismo, pois sabe que a tapeação é a melhor maneira de conseguir os seus objetivos, embora deixe o tacape sempre por perto, para o caso de algumas eventualidades perigosas. Frentes de Trabalho, Leite para Todos, Bolsas "disso e daquilo", dentre outras medidas assistencialistas, foram sempre as preferidas, pois dão a impressão às pessoas que elas estão protegidas, aumenta o consumo local de mercadorias, circula o dinheiro, e de quebra, o pobre incauto pode comprar o "carro mais caro do mundo", em setenta vezes, para a felicidade das Montadoras e dos Bancos. E a saúde pública? Importa-se médicos de outros países e tudo está resolvido! E a educação pública? Ora, o populismo tem uma fórmula perfeita que agrada a todas as demandas: criam-se Campus fantasmas nos interiores para o deleite Ilusório dos bravos "cabras da peste", e para gerar grandes lucros para os donos das escolas privadas, o milagre do PROUNI. Não é genial o populismo corrupto?

A minha região, o Nordeste, que sempre sustentou com votos a política nefasta do coronelismo do passado, hoje é o sustentáculo da política dos novos/velhos coronéis. Não é à toa que nas eleições proporcionais para a Câmara Federal, um voto do eleitor do Piauí valha por 40 votos paulistas. A ditadura militar inventou esse recurso "democrático" e as elites populistas mantiveram na atual Constituição. O corrupto populista não se acanha em colocar uma camisa vermelha e ao mesmo tempo, colocar um chapéu de cangaceiro, festejando a "brabeza" dos seguidores de Virgulino. "O nordestino é sobretudo um forte", dizem para uma população cronicamente pobre, submetida a um assistencialismo enganoso, que paga migalhas com voto. Nada melhor para o corrupto populista que manter o culto ao Cangaço, criando museus, eventos, para evitar possíveis esquecimentos que um punhal vale mais do que mil palavras. Esse punhal brabo que matou e grilhou terras para os poderosos coronéis, hoje é homenageado pelas "facas peixeiras" que os pobres nordestinos carregam nas cinturas, enquanto se postam aos pés dos poderosos para receberem as sobras perversas da exploração.

No entanto, existem alguns populistas corruptos que me causam um imenso temor. São os que outrora erguiam os punhos para o alto, salivavam violência e confundiam luta de classe com ódio da classe dominante. Eles nunca foram dialéticos, mas crentes apaixonados por ideias vagas que nunca compreenderam com profundidade, motivados, quase sempre, pelos hormônios incontidos da juventude ou por outros interesses inconfessáveis, mesmo que inconscientes. Mussolini era um socialista desse tipo e criou o fascismo. Hitler odiava o comunismo, mas tinha o socialismo como uma ideia idílica, criando, consequentemente, o Partido Nacional Socialista. O perigo desse corruptos populistas, transvestidos de socialistas, efetiva-se pelos objetivos de totalizar a sociedade, mantendo os organismos da sociedade civil sob controle, seja por aliciamentos ou pela força. Não tenho dúvidas que se for forçado a optar em votar entre um corrupto sem organicidade e outro que possui uma estrutura totalizante em andamento, farei a opção pelo primeiro, para manter a sociedade civil livre para se organizar.

Alguns jovens de bons propósitos estão defendendo o voto nulo como resposta eleitoral, pois, segundo eles, votar em um ou no outro é trocar seis por meia dúzia. Não deixo de lhes dar razão em alguns aspectos, no entanto, ressalto que a opção de votar em um ou no outro, pode ter consequências diferentes para a sociedade. É muito cômodo não votar ou anular o voto, porque, em princípio, deixaria intacta a nossa pureza ideológica, mas as consequências por uma omissão pode ser até pior do que um ato comissivo. Repito que entre um corrupto sem organicidade e outro com um projeto totalizante, não hesitarei em votar no primeiro, e, logo após o término da eleição, estarei na oposição, pregando nas ruas a necessidade da reinvenção da República brasileira, com a implantação de uma Assembleia Nacional Constituinte, livre e soberana. No entanto, se o corrupto orgânico e autoritário ganhar, essa tarefa fica quase impossível, pois os sindicatos, as associações e os demais organismos da sociedade civil estarão amordaçadas, corrompidas e ameaçadas.

Ivan Bezerra de Sant Anna
 


Publicado no site http://www.facebook.com/ibezerra52; http://ibezerra.xpg.com.br e no Blog http://terradonunca-ibezerra.blogspot.com/