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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O que é ser um socialista?

O que é ser um socialista?





Ser um socialista é vestir uma camisa vermelha, estar filiado a um Partido que tem esse nome fantasia e gritar para todos que é? Se essa afirmação for verdadeira, então poderemos concluir que Hitler era socialista, pois ele sempre afirmava que defendia um novo tipo de socialismo e a sua agremiação partidária chamava-se Partido do Nacional Socialismo. Nos primeiros anos do seu governo "socialista" promoveu o pleno emprego, aprovou leis trabalhistas, distribuiu bolsas "disso e daquilo" e também se aliou com as grandes empresas, dando-lhes privilégios e ganhos fantásticos. A preocupação do líder "socialista" alemão com a classe trabalhadora resumia-se, apenas, em mantê-la sob controle, repor as condições mínimas de subsistência que permitisse uma geração de mais-valia no processo de reprodução do Capital.

Será que o leitor não está com uma vontade enorme de associar o nome do "socialista" germânico com algum líder populista do terceiro mundo? Se tiver, fique apenas na vontade, pois seria um erro. O "socialista" Hitler que era um extremado nacionalista, jamais chamaria um presidente norte-americano de companheiro e principalmente se ele respondesse pelo nome de George Bush.

Afinal, o que seria um autêntico socialista? Para evita confundir Hitler, Mussolini, Generalíssimo Franco, Plínio Salgado com Karl Marx, Lenin, Prestes, Darci Ribeiro, Oscar Niemeyer e outros, resolvi fazer uma lista de atributos que considero essenciais.

Ser socialista é pensar dialeticamente. É refletir o mundo como processo de mudança, um vir-a-ser permanente, ter olhos de criança para as novidades, encarando os nossos velhos padrões e valores com coragem, sabendo que todo processo de mudança é dolorido e como em toda a dor que antecipa ao parto, anuncia o nascimento de novos valores. Não basta apenas uma mudança conceitual, discursiva e racional, tem que haver uma mudança existencial impulsionada pela volição, pois, ao contrário, encenaremos a premonitória frase de Lampedusa, "mudar para que nada mude".

Ser socialista é fazer a opção pelos danados do mundo, buscar enfaticamente a igualdade, combatendo com determinação o individualismo possessivo. Portanto, é uma clara opção pela solidariedade, pelo despojamento crescente do egoísmo, dando ênfase ao Estado social congregativo, centro democrático do fórum das discussões coletivas. Os interesses da coletividade organizada deve sobrepor aos interesses privados e individuais, quando houver colisões. Ao contrário, teremos um mercado de interesses individuais regido por uma mão não tão invisível, e garantido por juízes com sentimentos de justiça mutável e variável. Em resumo: uma raposa livre dentro de um galinheiro livre.

Ser socialista é ter um profundo sentimento dos valores éticos, repensando-os continuamente para melhor servir à coletividade. Lutar com todas as forças contra o pragmatismo e que os fins jamais devem justificar os meios, mesmo estando com as melhores das intenções. Por exemplo: tentar justificar o populismo, a compra de votos e os desvios de recursos públicos para caixas de investimentos eleitorais, com argumentos astutos que tentam enganar a si e aos outros, são atos deploráveis que reproduzem as práticas e valores da política tradicional. Desviar dinheiro público para caixas eleitorais (alguns para os próprios bolsos) e comprar votos são atividades criminosas, sejam quais forem os objetivos a serem alcançados.

Ser socialista é ser popular e não populista. É fazer uma clara opção pelos programas de saúde e educação, em vez de estar desviando as verbas públicas para as entidades privadas. É aumentar com vigor o raio de atuação do Estado, ampliando os serviços públicos em vez da opção neoliberal de terceirização, pois quem paga a conta dessa pretensa "economia" são os trabalhadores das empresas terceirizadas. De onde os empresários de serviços tiram os lucros? Dos preços alterados e dos salários dos trabalhadores! Não seria melhor e mais digno se os governantes criassem escola integral para os estudantes do campo, dando-lhes alimentação e roupas em vez de colocar dinheiro na mãos dos pais que vão comprar televisores e carros e outras coisas supérfluas? Um recurso que não é fruto do trabalho, originado de imposto sobre a renda de quem trabalha para financiar o consumo de quem não trabalha é justo? Não seria mais digno e justo os governantes criarem empresas estatais de controle coletivo, com o objetivo de oferecer variados serviços à população, para empregar essas pessoas?

Por fim, ser socialista é ter pleno conhecimento que é um longo processo a ser efetivado, um longo e árduo caminho a ser percorrido, com avanços e retrocessos, estimulados pela razão dialética que prevê retornos à radicalidade para melhor crescimento com maturidade, tendo a consciência que o desejo e a vontade são de grande importância, mas insuficientes nessa grande aventura humana. Convém não esquecer as meditações sábias de Ortega e Gasset sobre Cervantes: "Do querer ser ao crer que já é, vai a distância do trágico ao cômico. Esse é o passo entre o sublime e o ridículo."

Ivan Bezerra de Sant Anna



Publicado no site http://www.facebook.com/ibezerra52; http://ibezerra.xpg.com.br e no Blog http://terradonunca-ibezerra.blogspot.com/






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Um comentário:

  1. E o que acontece quando criadores,ou gênios ou empreendedores deixarem de realizar seus tentos por falta de incentivo? A partir do momento que se instaura esse socialismo, não se cria um paradoxo? E a meritocracia? Ela é destrutiva?

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